iG comenta 10 novas séries da temporada de inverno da TV norte-americana

Por Mariane Morisawa , especial para o iG, de Los Angeles |

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Entre os selecionados, estão programas com Gillian Anderson, com ex-ator de "Game of Thrones" e adaptação de Nick Hornby

A televisão norte-americana anda tão movimentada que a chamada "midseason", a temporada de inverno, tradicionalmente formada por raras grandes apostas e muito tapa-buraco, agora está cheia de séries com verdadeiro investimento dos canais.

O iG comenta os dez principais lançamentos.

Cena do seriado "Crisis". Foto: DivulgaçãoCena do seriado "The 100" . Foto: DivulgaçãoSeriado "Mixology". Foto: DivulgaçãoSeriado "Resurrection". Foto: DivulgaçãoCena do seriado "About a Boy". Foto: DivulgaçãoCena do seriado "Rake". Foto: DivulgaçãoSeriado "The Red Road". Foto: DivulgaçãoCena do seriado "Sirens". Foto: DivulgaçãoSeriado "Intelligence". Foto: DivulgaçãoCena do seriado "Enlisted". Foto: Divulgação

“Crisis”
Uma das mais novas da safra estreou no dia 16 de março e traz Gillian Anderson, a eterna agente Dana Scully, de “Arquivo X”, de volta a um papel principal na televisão dos EUA– a atriz fez uma pequena participação em “Hannibal” e estrelou alguns programas na Inglaterra. Ela vive Meg Fitch, executiva de uma multinacional com contratos com o governo, que tem sua filha Amber (Halston Sage) sequestrada numa viagem escolar. Sua irmã Susie (Rachael Taylor), com quem não fala há anos, é a agente do FBI encarregada do caso. Junto com Amber estão outros garotos e garotas de famílias poderosas de Washington, inclusive o filho do presidente.
Já o pai de Beth Ann (Stevie Lynn Jones), por exemplo, é um simples analista da CIA (Dermot Mulroney). Ele também vai parar no ônibus quando se oferece como acompanhante da turma. Conflitos, portanto, não faltam. O piloto, dirigido por Philip Noyce (de “Perigo Real e Imediato”), é tenso e promissor. Mas não é fácil manter o pique de uma série desse tipo, com um único crime durante uma temporada inteira, por 13 episódios.
Assista se gostar de: “24 Horas”

“The 100”
Entrou no ar no dia 19 o novo seriado adolescente do canal CW, que exibe “Arrow”, “Reign”, “Beauty and the Beast” e “The Vampire Diaries” nos Estados Unidos, todos com forte apelo teen. “The 100” é baseado numa série de livros para jovens adultos de Kass Morgan, vendida para a televisão antes de ser publicada. A trama começa 97 anos depois de uma guerra nuclear devastar a Terra. Os sobreviventes habitam uma espécie de arca no espaço. Quando os recursos lá começam a escassear, cem prisioneiros adolescentes (os adultos que cometem crimes sofrem execução sumária) são enviados de volta ao planeta para verificar suas condições.
É uma mistura de “O Senhor das Moscas” com “Jogos Vorazes” e “Lost”, em que a briga pelo poder vai revelar os verdadeiros contornos dos personagens. E não é que o canal desta vez acertou?
Assista se gostar de: “Falling Skies”, “Lost”, “Under the Dome”

“Mixology”
Uma das grandes apostas da temporada, a série criada por Jon Lucas e Scott Moore (roteiristas da segunda e terceira partes de “Se Beber, Não Case!”) e que conta com Ryan Seacrest entre seus produtores tem a pretensão de ser um formato novo entre as comédias: dez personagens, cinco homens e cinco mulheres, tentam encontrar o amor numa noite num bar. Cada episódio foca numa dupla. Até poderia ter dado certo, se os personagens não fossem, em sua maioria, extremamente irritantes ou absolutamente sem graça.
Tom (Blake Lee), por exemplo, é doce, mas sem noção. Bruce (Andrew Santino) acredita que todas as mulheres, hoje em dia, são fáceis. Maya (Ginger Gonzaga) acha que os homens precisam ser brutos. Liv (Kate Simses) sempre foi certinha e nunca se divertiu na vida – mas você entenderia, se ouvisse sua voz. E assim por diante. Há piadas com estupro. Mulheres são chamadas de prostitutas. Com a audiência em queda livre, não deve durar muito. Melhor deixar para lá.
Assista se gostar de: piadas do Rafinha Bastos

“Resurrection”
Como você reagiria se uma pessoa querida, morta, voltasse à vida? Um garoto americano é descoberto num arrozal na Ásia e levado para casa pelo agente da imigração J. Martin Bellamy (Omar Epps, de “ER” e “House”). Chegando a Arcadia, no Estado de Missouri, Bellamy descobre que o menino (Landon Gimenez) chamado Jacob é filho de Lucille (Frances Fisher) e Henry (Kurtwood Smith) e morreu 32 anos atrás. Ele não é o único a misteriosamente retornar da morte: logo no primeiro episódio, Caleb (Sam Hazeldine) também reaparece.
Sim, “Resurrection”, produzido pela Plan B de Brad Pitt, parece muito a francesa “Les Revenants”. Mas tem uma fórmula quase irresistível nos dias de hoje: suspense, uma dose de sobrenatural e muito drama familiar para segurar as pontas. O público americano curtiu, com 13,3 milhões de espectadores na estreia, e 10,8 milhões no segundo episódio. Estreia no Brasil no AXN em abril.
Assista se gostar de: “The Walking Dead”, “Under the Dome”

“About a Boy”
Todo o mundo adora um livro de Nick Hornby. E todo o mundo ama um filme baseado num livro de Nick Hornby. “Um Grande Garoto”, dirigido por Chris e Paul Weitz em 2002, era daquelas produções adoráveis. As boas histórias podem ser contadas mais de uma vez, mas a verdade é que não faz muito sentido se não for para fazer melhor ou pelo menos diferente. O piloto do novo seriado conta exatamente a mesma coisa do filme: Will (David Walton), um homem irresponsável e imaturo, começa a conviver à força com o desajeitado Marcus (Benjamin Stockham), um menino superprotegido pela mãe Fiona (Minnie Driver) e com dificuldades de se encaixar no mundo.
Daí por diante, parece que vai ser só uma repetição: Will apronta, Marcus sofre, Fiona dá uma bronca em Will, Will se arrepende. E para piorar, David Walton, Benjamin Stockham e Minnie Driver não são tão carismáticos quanto Hugh Grant, Nicholas Hoult e Toni Collette.
Assista se gostar de: “Two and a Half Men” na época de Charlie Sheen

“Rake”
Keegan Deane (Greg Kinnear) faz tudo sempre igual – e tudo sempre errado. Logo no primeiro episódio, chega 30 minutos atrasado a seu compromisso habitual com uma prostituta que cobra US$ 500 por encontro. Ele também constantemente leva safanões dos capangas do cara a quem deve uma grana de jogo. No trabalho, o advogado vive defendendo gente culpada. E não para de incomodar quem está à sua volta, seja a ex-mulher (Miranda Otto) ou o melhor amigo (John Ortiz) – é capaz de acordar, ainda bêbado, na casa dele, na frente de crianças pequenas. Kee é irresponsável e folgado, mas, de alguma forma, ninguém parece capaz de odiá-lo. Kinnear, sempre disposto a abrir um sorriso, é uma das razões.
O problema é que, fora o carisma do ator, há poucas razões para torcer pelo personagem, que parece um bom advogado, mas pouco confiável. O protagonista de “House”, por exemplo, era um sujeito complicado, mas genial quando se tratava de resolver casos. “Rake” quer ser mais do que uma comédia sobre os tribunais, mas também não consegue criar um protagonista irritantemente irresistível como Sherlock Holmes ou Gregory House.
Assista se gostar de: “House”

“The Red Road”
Quem diria que o saudoso Khal Drogo de “Game of Thrones”, Jason Momoa, é mesmo um bom ator? Ele agora interpreta Phillip Kopus, um ex-prisioneiro que volta à sua tribo de origem, perto de Nova York. Sua chegada não é bem vista nem por sua mãe (Tamara Tunie), que cuida de um adolescente, Junior (Kiowa Gordon). O menino está envolvido com Rachel (Allie Gonino), filha do policial Harold (Martin Henderson) e da alcoólatra Jean (Julianne Nicholson).
A tensão racial e social entre brancos e índios fica logo evidente, complicados pelos relacionamentos pessoais entre os personagens. Tudo piora quando Jean se torna suspeita de atropelar um menino da tribo, e Harold faz tudo para esconder seu envolvimento. O piloto, dirigido por James Gray (de “Amantes”), é cheio de atmosfera. Mas falta consistência ao roteiro dos dois episódios seguintes. Estreia prevista no Brasil no segundo semestre.
Assista se gostar de: “True Detective”

“Sirens”
A versão americana da série cômica inglesa estrelada por Richard Madden (o finado Robb Stark de “Game of Thrones”) foi adaptada por Denis Leary, de “Rescue Me”, e Bob Fisher. Os protagonistas são os paramédicos Johnny (Michael Mosley), um sujeito com medo de compromisso que tenta se reconciliar com a namorada, a policial Theresa (Jessica McNamee), Hank (Kevin Daniels), negro e homossexual, e o ingênuo novato Brian (Kevin Bigley). Enquanto percorrem as ruas de Chicago atendendo gente que precisa de ajuda, como o homem e a mulher atingidos por um raio, os três trocam impressões desbocadas sobre a vida e os relacionamentos. É diferente, cheio de piadas sujas e, na maior parte das vezes, engraçado.
Assista se gostar de: “Rescue Me”, “Brooklyn Nine-Nine”

“Intelligence”
É o retorno de Josh Holloway (o Sawyer de “Lost”) e Marg Helgenberger (a Catherine Willows de “C.S.I.”) à televisão. Gabriel (Holloway) é um agente secreto com poderes extraordinários – por causa de uma combinação genética rara, ele teve um chip implantado em seu cérebro, que o mune de informações preciosas e o torna capaz de se colocar nas cenas de crimes ao redor do mundo, numa visualização tridimensional. Sua chefe, Lillian Strand (Helgenberger), põe uma agente do FBI, Riley Neal (Meghan Ory), como babá do valioso “equipamento”.
Pensou em “Chuck”? É parecido, só que em chave menos cômica. Os episódios são bem irregulares, segurando-se, principalmente, no carisma de Holloway.
Assista se gostar de: “Chuck”, “O Homem de 6 Milhões de Dólares” e “A Mulher Biônica” – se não souber do que se tratam os dois últimos, pergunte a seus pais

“Enlisted”
Não é a primeira vez que o ambiente militar serve a uma comédia. Entre 1972 e 1983, a série “M*A*S*H” focava num hospital militar durante a Guerra da Coreia. “Enlisted” é um pouco mais light: a ação se passa numa base na Flórida conhecida por abrigar aqueles soldados menos aptos para a guerra. Depois de ter problemas numa turnê pelo Afeganistão, o sargento Pete Hill (Geoff Stults) é mandado para a tal base, onde estão seus dois irmãos: o debochado Derrick (Chris Lowell) e o atrapalhado Randy (Parker Young). A série cômica foi criada por Kevin Biegel e tem o mesmo tipo de humor de seus trabalhos anteriores, “Scrubs” e “Cougar Town”.
É verdade que os soldados ali seriam um desastre completo numa guerra, mas “Enlisted” está menos preocupada com uma crítica às forças armadas americanas e mais concentrada na relação de amor e provocações entre três irmãos. A audiência tem sido bem fraca, e seu cancelamento é dado como certo pela FOX americana. É uma pena, porque a série é, junto com “Brooklyn Nine Nine” e “Sirens”, uma das poucas novidades cômicas dignas de nota – e de uma chance.
Assista se gostar de: “Scrubs”, “Brooklyn Nine Nine”, “M*A*S*H”

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