"Elis, A Musical" relembra o talento e o temperamento impulsivo da cantora

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Musical emociona com canções e cenas que mostram os sucessos e frustrações da artista gaúcha, morta há 32 anos

A atriz Laila Garin, que interpreta Elis Regina no espetáculo "Elis, A Musical", mostra um sorriso largo, timbre, rouquidão de voz e movimentos de braço muito convincentes, mas sem soar como uma imitação. "A Laila fez uma coisa alusiva à Elis, não é literal. Quando ela fala é parecido, mas é uma interpretação dela", disse ao iG João Marcelo Bôscoli, filho de Elis e do produtor musical Ronaldo Bôscoli.

Leia mais: Musical sobre Elis Regina chega a SP: "Tudo o que ela gravou marcou a história"

Cenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: DivulgaçãoCenas de 'Elis, A Musical'. Foto: Divulgação

Em cartaz no teatro Alfa, em São Paulo, os cabelos ruivos da atriz são escondidos sob três perucas, assim como os vistosos olhos azuis, que são camuflados por lentes de contato da cor castanha. Em entrevista ao iG, Laila falou sobre a modificação da aparência: "Foi uma renúncia bonita, tenho de ter outras armas (no palco)". Quais armas? "Todo o meu trabalho de atriz, a emoção e interpretação".

Dirigido por Dennis Carvalho, o primeiro ato trata do começo da carreira, quando Elis, ainda menor de idade, investia em sua vocação musical nos concursos das rádios gaúchas. O primeiro ato ainda passa pelos primeiros contratos e discos, as primeiras parcerias, a mudança de Porto Alegre para o Rio, os programas de TV como "O Fino da Bossa" e a confirmação da fama, além do casamento conturbado com o produtor Ronaldo Bôscoli.

O segundo ato traz uma Elis mais madura, nacionalmente conhecida, casada com o segundo marido, o pianista César Camargo Mariano, interessada em questões como a da Anistia e preocupada em anular a associação de sua imagem ao regime militar. As canções do segundo ato apertam o peito e os olhos, com interpretações tocantes como "Canção da América", "Como Nossos Pais" e "O Bêbado e A Equilibrista".

Com uma abordagem que pode ser considerada branda, as cenas de Elis vão de encontro a momentos da história da música brasileira e de sua biografia, mas sem passar pelos anos finais de vida, quando começou a usar drogas e a beber mais. A combinação química terminou por matar Elis Regina em 19 de janeiro de 1982, aos 36 anos.

"É uma obra de ficção, não um documentário. Se fosse tocar nos problemas das drogas, acho que teria de aprofundar a peça, explicar por que ela tinha esses problemas. Mas não era isso o que a gente queria. Queríamos homenagear a música brasileira, que foi uma época das mais ricas, e homenagear a Elis", disse Dennis Carvalho, que optou por não mostrar o final trágico da cantora.

Em vez da morte, a dramaturgia termina com um depoimento da própria cantora, angelical em um macacão bege com pontos brilhantes, uma flor delicada na cabeça, iluminada por um foco de luz branca. "A gente faz parte de um grande teatro", reflete, sentada com pose de moleque, um dos pés sobre a cadeira. "A mim não interessa ser apenas mais uma boa cantora, entende? Eu quero usar o dom que a mãe-natureza me deu para diminuir com ele a angústia de alguém".

João Marcelo Bôscoli, que esteve na sessão de domingo (16) em São Paulo, comenta o resultado do roteiro, escrito por Nelson Motta, que conheceu Elis. "O que me surpreendeu é que, no final do espetáculo, há uma sensação de leveza, de alma lavada, entende?." No domingo (16), toda a arrecadação dos ingressos foi doada para a Unibes (União Brasileiro-Israelita do Bem-Estar Social).

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