"Jesus Cristo Superstar": se prepare para a cena de que ouviu falar a vida toda

Por Ana Ribeiro , iG São Paulo | - Atualizada às

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Musical da Broadway estreou na sexta-feira (14) no teatro do Complexo Ohtake Cultural, em São Paulo

Para acabar de vez com essa conversa de que não tem graça ver um espetáculo de que a gente já sabe o final: os melhores musicais em cartaz se tratam exatamente disso, de histórias das quais você conhece o começo, o meio e o fim.

“Cazuza” é assim, “Elis” é assim, e agora “Jesus Cristo Superstar” é assim também. “Elis, a Musical”, em cartaz em São Paulo, não explora o fim da cantora – de repente, ela some de cena, vira música: “Como se fora brincadeira de roda, memória”. É uma das críticas recorrentes ao espetáculo, de que seria uma versão chapa branca da vida, da personalidade, do gênio – e principalmente da morte de Elis.

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Cena do musical "Jesus Cristo Superstar". Foto: DivulgaçãoCena do musical "Jesus Cristo Superstar". Foto: DivulgaçãoCena do musical "Jesus Cristo Superstar". Foto: DivulgaçãoCena do musical "Jesus Cristo Superstar". Foto: DivulgaçãoCena do musical "Jesus Cristo Superstar". Foto: DivulgaçãoCena do musical "Jesus Cristo Superstar". Foto: Divulgação

“Cazuza, pro dia nascer feliz”, em cartaz no Rio, tem o fim dramático que todo mundo que tem uma certa idade acompanhou. Ele morreu em 1990, quando a Aids era ainda uma doença nova e desconhecida, e não poupava ninguém – mesmo quem, como ele, tinha recursos para apelar para todo tipo de tratamento de ponta oferecido nos melhores hospitais americanos.

Em “Jesus Cristo Superstar” o fim é aquele que todo mundo conhece também, mas não deixa de ser chocante ver Jesus sendo surrado, empurrado, derrubado, crucificado. Ah, claro – e traído. A gente já ouviu a história um milhão de vezes e anda com uma cruz pendurada no pescoço, mas não significa que está acostumado, ou mesmo preparado, para ver a cena em terceira dimensão.

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É mesmo arrepiante ver aquele Cristo lindo – o ator Igor Rickli no papel de Jesus Cristo é um daqueles casos de ator que encontrou o seu personagem – pregado na cruz e dividido entre o perdão aos humanos – “Eles não sabem o que fazem” - e a revolta – “Pai, por que me abandonaste?”

Começo pelo fim porque é o melhor de tudo. O restante da peça é lindo plasticamente, com números musicais vigorosos, momentos intensos na interpretação e na cantoria dos 28 atores em cena, mas não chega a emocionar. Demorou para a plateia de convidados para a estreia, na quinta-feira (13) – o teatro de 650 lugares estava praticamente lotado – esquentar e começar a aplaudir os números musicais.

Divulgação
Cena do musical "Jesus Cristo Superstar"

É uma ópera-rock em que não há falas – toda a história é contada em música. A dramaturgia é toda feita em forma de música e dança. Negra Li faz uma Madalena doce e com números musicais mais harmônicos, Alírio Netto faz uma versão heavy metal de Judas, com direito a cabelão, roupas de couro, correntes e rock pesado.

Wellington Oliveira faz Herodes e tem um número que se destaca de todo o resto. Saem os figurinos meio punk e entram estampas de oncinha, meias 3/8 e cintas-ligas. O figurino da peça é caprichado e rico, fazendo um contraste claro entre a turma de Jesus - apóstolos andróginos de figurino a la Osklen -, a igreja convencional e os corruptos soldados romanos. A direção é de Jorge Takla.

O tempo de duração do espetáculo é um acerto, não tem mais do que duas horas, com intervalo de 15 minutos. A versão original do musical, que estreou na Broadway em 1971, era mais longa. E os musicais em geral têm um pouco essa licença para ultrapassar o tempo regulamentar do teatro – “Cazuza” tem 2 horas e 40 minutos. "Elis" tem três horas de duração. Mas em "Jesus Cristo", como tudo é cantado e barulhento, estender o tempo seria uma prova para o público.

A comunidade religiosa está revoltada contra a montagem, que mostra a última semana da vida de Cristo. Um zum-zum-zum no teatro dava conta de que haveria uma manifestação contra a exibição do espetáculo na sexta (14), dia em que a peça abriria para o público.

"Jesus Cristo Superstar"
Data: 14 de março a 8 de junho
Local: Teatro do Complexo Ohtake Cultural (Rua Dos Coropés, 88 - Pinheiros - SP)
Horários: quintas e sextas, às 21h; sábados, às 17h e 21h; domingos, às 18h
Ingressos: Entre R$ 50 e R$ 230

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