Vick Garaventa se inspira em entranhas e esqueletos para criar obras de arte

Por Gabriela Longman , especial para o iG |

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Artista de 24 anos faz sua primeira exposição individual com trabalhos que fazem referência à anatomia do corpo humano

Entranha, carne, esqueleto, membrana. Transitando num território algo científico, algo imaginário, a artista plástica Vick Garaventa inaugura nesta quarta-feira (19/2) a primeira individual de sua carreira. Intitulada Animalia, a mostra ocupa o segundo andar da loja Chilli Beans no Jardim Paulistano, em São Paulo, propondo uma incursão pela anatomia de animais e criaturas zoomórficas.

Detalhe de obra da mostra 'Animalia' de Vick Garaventa. Foto: DivulgaçãoDetalhe de obra da mostra 'Animalia' de Vick Garaventa. Foto: DivulgaçãoDetalhe de obra da mostra 'Animalia' de Vick Garaventa. Foto: DivulgaçãoDetalhe de obra da mostra 'Animalia' de Vick Garaventa. Foto: DivulgaçãoA artista plástica Vick Garaventa. Foto: DivulgaçãoA obra 'Tegumento (Jabba The Hutt)', de Vick Garaventa. Foto: DivulgaçãoA obra 'Better living through chemistry', de Vick Garaventa. Foto: Divulgação

"Sempre gostei de coisas bizarras. Gosto de pegar algo excepcional e trazer para o lugar comum. Gosto de misturar referencias reais com referências inventadas", conta Vick, que criou o trabalho procurando dialogar da melhor maneira possível com o espaço expositivo.

Dispostos nas paredes, cinco grandes painéis de lousa ganharam desenhos em giz branco, num resultado que remete às antigas salas de aula. Nomenclaturas em latim, ossaturas e taxinomias exorbitantes desfilam pela composição.

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O resultado surpreende. De certo modo, o trabalho da artista de 24 anos vem revisitar uma época esquecida na história da ciência, período em que a linha que separava pesquisadores da ciência de ilusionistas e artistas era tênue, quase invisível.

O gosto pela questão anatômica, ela conta, vem de antes da faculdade, tanto que cogitou prestar medicina junto com artes visuais. “Quando eu pensei no que gostaria de fazer dentro da medicina, concluí que era melhor ficar só no plano artístico” diverte-se Vick, que terminou formada em Artes Visuais pela Faap em 2010. De lá para cá desenvolveu trabalhos em fotografia, desenho, pintura, escultura e gravura; participou de diferentes mostras coletivas e trabalhou como assistente de artistas destacados como Rodolpho Parigi e Ana Elisa Egreja.

“Seu apreço por investigar catalogações, arquivos, inventários, procedimentos presentes em épocas diversas da civilização, e lançar isso num 'caldo' contemporâneo, em que a fragmentação parece ser regra, é potente, hábil, interessante”, analisa o curador e crítico Mario Gioia.

Para além das referências científicas, a jovem artista cita o trabalho da pintora sul-africana Marlene Dumas (1953) como uma de suas influências. “Mesmo quando faço esculturas gosto de pensá-las como pintura e algumas vezes usei tinta a óleo nas peças”, explica. “E no entanto a primeira obra que me fez chorar foi uma mini-escultura do Yves Klein, que não tem nada a ver com o meu trabalho. Chorei por causa do tom de azul.”

Um apanhado de sua obra pode ser vista no site vickgaraventa.com.

Animalia
Seg a sáb, das 10h às 20h; dom., das 12h às 18h
Flagship Chilli Beans (rua Oscar Freire, 1.072, São Paulo)
Até 28/2
Entrada franca

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