Wallace Shawn encena peça no Rio para jornalista exilado assistir

Por iG São Paulo |

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O ator e escritor pagou uma montagem de "The Designated Mourner" para Glenn Greenwald, repórter morador do Brasil que não pode entrar nos EUA após dar o furo sobre o sistema de vigilância da NSA

O escritor e ator Wallace Shawn veio até o Brasil para encenar a peça "The Dseignated Mourner" ("O enlutado escolhido", em tradução literal) especialmente para Glenn Greenwald, repórter americano exilado desde que deu o furo sobre o sistema de vigilância da NSA.

Getty Images
Wallace Shawn é conhecido por filmes como "Meu Jantar com Andre", de 1981

Em entrevista ao programa "Democracy Now", o dramaturgo falou que a decisão de vir ao país foi impulsiva. "Eu estava chateado com o fato de que eu tinha convidado este escritor, que eu admirava bastante, para ver a minha peça, mas ele nunca aparecia. Então eu me dei conta de que ele estava com problemas para entrar nos Estados Unidos por ter recebido os documentos sobre a NSA", explica. "Então, impulsivamente, eu pensei: 'Vamos levar a peça até ele'",

Shawn conta que chamou os colegas de cena, Deborah Eisenberg e Larry Pine, além do designer de som Bruce Odland e o diretor Andre Gregory, para vir ao Brasil montar uma única sessão da peça para Greenwald e algumas pessoas que ele convidasse. "Nós alugamos um pequeno teatro e Jennifer Tipton, nossa designer de luz, falou com as pessoas do Brasil para fazermos uma montagem completa do texto. Porque uma peça não é só o roteiro, que pode ser mandado pelo e-mail, é mais complexo".

Reapresentada no ano passado em Nova York, "The Designated Mourner" foi escrita em 1996 e se passa em um país fictício repressivo, onde três pessoas começam a fazer pequenos atos de rebeldia contra o regime escrevendo ensaios. Ao explicar o porquê de ter escolhido este texto especificamente para encenar para Greenwald, Shawn diz: "É sobre liberdade de expressão, de um certo modo. São três pessoas que, só por escreverem alguns textos, começam a derrubar um governo pois a liberdade artística pode ser mais forte do que a política".

O tema tem, coincidentemente, muito a ver com o que o próprio Glenn Greenwald está passando. O repórter está sendo investigado pelos Estados Unidos após ter divulgado documentos sobre a Agência de Segurança Nacional (NSA), em que há provas de grampos a políticos como a própria presidente Dilma.

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