Criolo, Zé do Caixão: artistas comentam a influência de São Paulo em suas obras

Por Susan Souza , iG São Paulo |

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"Consigo trabalhar e me dar muito bem aqui", afirmou Tom Zé; veja outros depoimentos

Neste sábado (25), a cidade de São Paulo completa 460 anos. Suas ruas e seu cotidiano influenciam profissionais da música, cinema, teatro, fotografia e arte de rua.

O iG conversou com alguns artistas sobre como São Paulo interfere e inspira suas obras.

O cantor Criolo, famoso pela música 'Não Existe Amor em SP'. Foto: DivulgaçãoO cantor e compositor Tom Zé. Foto: Andre Conti/DivulgaçãoO cineasta brasileiro José Mojica Marins, criador do personagem Zé do Caixão. Foto: Getty ImagesO diretor do Teatro Oficina, José Celso Martinez Corrêa. Foto: AEO artista urbano Eduardo Kobra. Foto: Divulgação

Criolo, cantor: "Cresci em São Paulo. Minha relação com a cidade é a de quem nasce no caos, na febre do abandono e da injustiça. Uma sensação de não pertencimento. São Paulo, todos os dias, oferece um desafio. Na desordem vão crescendo as ervas daninhas, acho que é assim que me sinto, erva daninha em um canteiro de obras, onde o que importa é um concreto de interesses que seguem fazendo aniversário assim como a cidade."

Tom Zé, cantor: “Quem diz que São Paulo é trabalho, não mente. Consigo trabalhar e me dar muito bem aqui. E convivo bem com meu entorno, com as pessoas que encontro. Em questão de segundos, fazemos amizade, dizendo de onde viemos e para onde vamos. Sem filosofices, claro. É como se eu estivesse em uma cidade do interior, em um prolongamento da cidade onde nasci, Irará, na Bahia."

José Mojica Marins, cineasta conhecido como Zé do Caixão: “Como paulistano, luto pelo que eu gosto. Tudo o que faço tem a ver com São Paulo, sempre divulgo a cidade pelos lugares onde passo, da melhor maneira possível. A cidade tem algumas coisas realmente muito boas. Gosto muito do museu do Ipiranga e do restaurante O Gato que Ri."

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José Celso Martinez Corrêa, diretor do Teatro Oficina: "Esta capital de tão linda natureza revelada pelos belos dias de sol está sendo massacrada pelo cimento da porrada da violência. O Oficina é metáfora-símbolo da mais que cinquentenária 're-existência' contínua dessa força atualmente desprezada e desconhecida, de que a vida seja cultivo, e não sua abstração."

Eduardo Kobra, grafiteiro: "Meu trabalho só existe porque nasci em São Paulo. Por mais que eu saia e vá pintar em outros países com a minha equipe, o lugar onde tenho mais prazer de colocar meu trabalho é em São Paulo." Para o aniversário da cidade, Kobra prepara um grafite do grupo de rap Racionais MCs em frente ao metrô Capão Redondo. "Sou grato por essa região ter aberto as portas para o meu trabalho."

Speto, grafiteiro: "Testemunhei muitas mudanças na arquitetura, comportamento e a forma de se relacionar com a cidade. Posso comparar São Paulo a uma mulher complicada, cheia de nuances e que, apesar do estresse, é apaixonante. É preciso coragem, espirito aventureiro e muito amor para conquistar esta cidade."

Ygor Marotta, autor da intervenção urbana "Mais Amor Por Favor": “O que vejo na cidade é o caos, a bagunça o trânsito. Vim do interior para São Paulo há 11 anos e tive um choque pessoal de adaptação com essa nova experiência. A 'falta de amor' na cidade me chamou a atenção e eu quis criar um manifesto que exigia amor, seguido do ‘por favor’, uma maneira educada de pedir por isso. Procurei escrever uma mensagem para o bem."

Cristiano Mascaro, arquiteto e fotógrafo: “Minha relação com São Paulo é de completa cumplicidade. Exalto suas imensas qualidades, finjo que não reparo em seus inúmeros defeitos. E assim convivemos em perfeita harmonia. A cidade me inspira e me move. Quando inicio um trabalho, mesmo que seja obrigado a madrugar ou ficar até muito tarde pelas ruas, sinto-me sempre muito bem disposto.”

Com reportagem de Marianne Mitsui

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