John Neschling: "Não sou autoritário, exerço a autoridade que me é concedida"

Por Luísa Pécora e Thiago Ney , iG São Paulo | - Atualizada às

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Em entrevista em vídeo ao iG, diretor artístico do Teatro Municipal de São Paulo fala sobre os desafios da gestão e afirma que a saída da Osesp "sempre deixará mágoa"

Sylvia Masini/Divulgação
O maestro John Neschling, diretor artístico do Teatro Municipal de São Paulo

Ao longo de sua carreira, o maestro John Neschling, 66 anos, acumulou prêmios e cargos importantes e se consolidou como um dos nomes fortes do cenário lírico brasileiro.

Ao mesmo tempo, esteve envolvido em polêmicas e acusações graves, ganhando fama de difícil e autoritário - duas palavras que não soam bem aos seus ouvidos.

"Não diria difícil, diria exigente. Exijo que as pessoas tenham a mesma entrega e o mesmo comprometimento que eu tenho", afirmou Neschling, diretor artístico do Teatro Municipal de São Paulo, em entrevista ao iG.

E autoritário? "Você tem de ter uma certa hierarquia, especialmente num teatro, numa orquestra sinfônica, onde as coisas dependem muito da disciplina. Nesse sentido, não sou autoritário, exerço a autoridade que me é concedida, enquanto me é concedida", disse. "Tem uma hora que o conselho resolve tirar minha autoridade e não há nada a fazer. Vou embora e não tenho autoridade nenhuma."

Foi o que aconteceu em 2009, quando Neschling foi demitido do cargo de diretor artístico da Orquestra Sinfônica de São Paulo (Osesp), que ocupava desde 1996. Foi o fim de uma novela de vários capítulos, que envolveu desentendimentos com outros diretores, alegações de fraude em um concurso promovido pela orquestra e um vídeo publicado no YouTube no qual o maestro chamava o então governador de São Paulo, José Serra (PSDB), de "menino mimado".

Quatro anos depois, ele diz ter superado o ressentimento em relação à demissão. Um "gosto amargo na boca", porém, continua presente. "Vai ficar sempre uma certa mágoa pessoal de ter sido tão maltratado depois de ter feito um trabalho tão profundo."

Leia também: Direção do Teatro Municipal promete democratizar ópera em São Paulo

A direção artística do Municipal, que assumiu a convite do governo de Fernando Haddad (PT), trouxe Neschling de volta ao Brasil. Em 2011 ele seguiu para a Europa com passagem só de ida, frustrado com o fim da Companhia Brasileira de Ópera, que criara um ano antes para percorrer o País com produções itinerantes.

À frente do Municipal, ele prometeu recuperar a vocação lírica do espaço com uma temporada de óperas que começou em 2013 e deve ganhar corpo no ano que vem. Na entrevista ao iG, Neschling fala sobre os desafios do Teatro, diz que a formação musical no Brasil melhorou, mas carece de políticas sólidas, e revela os planos para o futuro. "Grande parte do trabalho que tinha de fazer nessa vida, já fiz", disse. "Só que eu não me dou por satisfeito nunca."

Veja a entrevista de John Neschling ao iG.



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