Aliados devolveram obras de arte a colecionador após nazismo, diz pesquisador

Por Reuters |

compartilhe

Tamanho do texto

Segundo norte-americano, algumas das 1,4 mil peças encontradas em apartamento de negociante alemão foram confiscadas e depois devolvidas pelas tropas aliadas

Reuters

Um pesquisador norte-americano disse que em 1945 as tropas aliadas confiscaram mais de 100 obras de arte de um negociante e colecionador alemão, o mesmo cujo tesouro foi descoberto nesta semana. As obras teriam sido devolvidas a ele quatro anos mais tarde.

Marc Masurovsky, que faz parte de um grupo que trabalha para devolver obras de arte saqueadas por nazista a seus proprietários, disse que os documentos nos Arquivos Nacionais dos EUA mostram que a maioria das obras foi devolvida ao colecionador, Hildebrand Gurlitt.

Leia: Acervo encontrado na Alemanha inclui obra desconhecida de Chagall

Obra de Antonio Canaletto é mostrada em computador durante coletiva sobre obras encontradas na Alemanha. Foto: APA painting of Otto Dix 'Selbstportrait Rauchend', um autoretrato de Otto Dix; obra está entre as encontradas na Alemanha. Foto: AP'Zwei Reiter am Strande', de Max Lieberman, é projetada em tela durante entrevista coletiva; obra foi uma das encontradas na Alemanha. Foto: AP

Pelo menos uma das peças listada nos documentos parece estar entre as 1,4 mil obras que as autoridades alemãs disseram ter encontrado no apartamento do filho de Gurlitt, Cornelius, em Munique, no ano passado.

Masurovsky, cofundador do Projeto de Restituição de Arte do Holocausto, disse que vasculhou os Arquivos Nacionais dos EUA online depois que a mídia divulgou o achado de Munique nesta semana.

Leia: Alemanha encontra acervo bilionário de arte furtada por nazistas

Masurovsky disse que desenterrou uma lista de cinco páginas das obras da coleção de Gurlitt. Segundo ele, cerca de 115 pinturas, junto com outras obras, foram inventariadas em 1946 pelo programa de Arquivos, Monumentos e Belas Artes (MFAA, na sigla em inglês). Aqueles no programa, criado pelos Aliados em 1943 para proteger a propriedade cultural, eram geralmente conhecidos como "Homens dos Monumentos".

A maior parte da arte, que incluía obras de Edgar Degas, Marc Chagall e Max Beckmann, foi devolvida a Hildebrand Gurlitt em 1950 por Theodore Heinrich, do Escritório do Alto Comissariado dos EUA para a Alemanha, segundo uma nota nos arquivos.

AP
Obra de Marc Chagall é projetada em tela durante coletiva sobre pinturas encontradas

O grupo de Masurovsky postou a lista em sua página no Facebook e publicou a descoberta no Twitter na quarta-feira. Quatro pinturas não foram devolvidas a Gurlitt, indo para as autoridades francesas em 1947, disse Masurovsky.

Siga o iG Cultura no Twitter

Os Arquivos Nacionais não puderam confirmar a autenticidade dos documentos na quarta-feira. Autoridades do Departamento de Estado dos EUA não fizeram comentários.

As obras confiscadas pelos Aliados incluem um autorretrato de Otto Dix, que era uma das imagens que as autoridades alemãs disseram nesta semana ter encontrado no tesouro no apartamento de Cornelius Gurlitt. O governo alemão não forneceu uma lista completa do que foi encontrado.

As obras de arte listadas pelos aliados são "uma janela do que está nas mãos das autoridades alemãs", disse Masurovsky. Se os Estados Unidos entregaram as obras de volta a Gurlitt, devem tê-lo feito por erro, segundo Jonathan Petropoulos, professor de história na Faculdade Claremont McKenna na Califórnia, e autor de "The Faustian Bargain: The Art World in Nazi Germany." "Os Homens dos Monumentos não eram perfeitos", disse Petropoulos à Reuters.

Leia: Obras-primas de museu holandês podem ser saques de nazistas

Hildebrand Gurlitt foi um dos quatro negociadores de arte escolhidos para acabar com a arte "degenerada" retirada das coleções estatais durante a era nazista, disse Petropoulos. Cerca de 300 das obras no tesouro de Munique foram supostamente tiradas de museus estatais alemães, enquanto o restante pode ter vindo de vítimas dos nazistas.

Gurlitt também era marchand de Hitler e do Führer Museum, disse Petropoulos, e pode ter obtido muitas das outras 1,2 mil obras da sede de pilhagem de arte nazista em Paris. Quando fugiu depois da guerra, continua Petropoulos, o marchand teria dito que perdeu tudo no bombardeio de Dresden. Ele morreu em 1956.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas