Acervo encontrado na Alemanha inclui pintura desconhecida de Marc Chagall

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Autoridades detalham operação que achou obras em apartamento em Munique, algumas roubadas por nazistas

Uma pintura desconhecida de Marc Chagall está entre as mais de 1,4 mil obras de arte encontradas por auditores fiscais em um apartamento na Alemanha.

De acordo com autoridades, algumas peças são parte do grupo de obras consideradas “arte degenerada” e confiscadas por nazistas. Outros trabalhos foram roubados de judeus ou então foram vendidos à força pelos proprietários, por um preço menor, a colecionadores ligados ao nazismo.

Leia: Alemanha encontra acervo bilionário de arte furtada por nazistas

Obra de Antonio Canaletto é mostrada em computador durante coletiva sobre obras encontradas na Alemanha. Foto: APA painting of Otto Dix 'Selbstportrait Rauchend', um autoretrato de Otto Dix; obra está entre as encontradas na Alemanha. Foto: AP'Zwei Reiter am Strande', de Max Lieberman, é projetada em tela durante entrevista coletiva; obra foi uma das encontradas na Alemanha. Foto: AP

Em entrevista coletiva nesta terça-feira (5), autoridades alemãs deram mais detalhes sobre o caso. Parte de uma investigação fiscal que começou em 2010, a busca em um apartamento num distrito de classe alta em Munique, na Alemanha, aconteceu em fevereiro de 2012.

No apartamento foram encontrados 121 trabalhos enquadrados e 1,285 sem moldura, incluindo obras de Pablo Picasso, Max Liebermann e Ernst Ludwig Kirchner, além de trabalhos antigos de Henri de Toulouse-Lautrec, Gustave Courbet, Auguste Renoir e Canaletto.

Leia também: Obras-primas de museu podem ser saques de nazistas

O trabalho mais antigo data do século 16. e o valor total do acervo foi estimado em 1 bilhão de euros (mais de R$ 3 bilhões).

AP
Obra de Marc Chagall é projeta em tela durante coletiva sobre pinturas encontradas na Alemanha

De acordo com o promotor Reinhard Nemetz, há "evidência concreta" de que ao menos parte das obras foram confiscadas por nazistas em 1937 ou pouco depois, por serem consideradas exemplo de "arte degenerada" - geralmente trabalhos de arte moderna ou abstrata, muitas vezes produzidos por artistas judeus, uma estética que o regime de Adolf Hitler via como antialemã.

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Segundo as autoridades, ainda não está claro se um crime de fato foi cometido pelo dono do apartamento. As investigações seguem em andamento mas, segundo Nemetz, "a questão legal é extremamente complexa".

O promotor disse que as autoridades estão abertas a receber pessoas que suspeitem que a coleção contenha alguma obra pertencente por direito a seus ancestrais.

"Sujas, mas não danificadas"

As pinturas foram encontradas em um quarto onde estavam "armazenadas de forma profissional e em condições muito boas", disse Siegfried Kloeble, um dos líderes das investigações. Segundo ele, um especialista levou três dias para tirar as pinturas do apartamento. As autoridades se recusaram a dizer o local onde elas estão agora.

Meike Hoffman, uma especialista em "arte degenerada" da Universidade Livre de Berlim, que está ajudando nas investigações, mostrou imagens de algumas das peças encontradas. Ele deu destaque a uma pintura de Chagall que não consta de sua lista de obras.

"Casos como este são de particular importância histórica para pesquisadores", disse. Segundo ela, ainda não foi possível determinar a origem da obra de Chagall. "É uma pesquisa muito, muito difícil."

Hoffman também mostrou uma pintura não conhecida de Henri Matisse, aparentemente dos anos 1920. "Quando você se vê diante destes trabalhos e vê em bom estado aqueles que pensávamos estar perdidos ou destruídos - alguns sujos, mas não danificados -, sente uma felicidade incrível", afirmou.

Com AP

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