"Apanhamos muito da mídia e das redes, ele vem de Rei", escreveu cantor em coluna no jornal "O Globo"

Críticas de Caetano Veloso a Roberto Carlos evidenciaram um  racha  entre os artistas do Procure Saber, grupo que é contra a publicação de biografias não autorizadas.

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Em sua coluna dominical no jornal "O Globo", Caetano criticou a imprensa por "dar a impressão" de que o Procure Saber mudou de posição contra as biografias. A semana foi marcada por um tom mais ameno do grupo, evidenciado em entrevista de Roberto Carlos ao "Fantástico" e em um vídeo divulgado na internet com a participação dele e de Erasmo Carlos e Gilberto Gil.

"RC só apareceu agora, quando da mudança de tom. Apanhamos muito da mídia e das redes, ele vem de Rei. É o normal da nossa vida. Chico era o mais próximo da posição dele; eu, o mais distante", escreveu Caetano. "De minha parte, apesar de toda a tensão, continuo achando que estamos progredindo."

Caetano Veloso e Roberto Carlos, em show conjunto
AE
Caetano Veloso e Roberto Carlos, em show conjunto

Caetano também alfinetou Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado de Roberto Carlos, dizendo que ele fala pelo cantor, e não pelo Procure Saber.

O músico ainda afirmou que a defesa do equilíbrio entre o direito de livre expressão e à privacidade, defendido no vídeo do Procure Saber, já tinha sido mencionado por Paula Lavigne , sua ex-muilher e presidente do grupo, no programa “Saia Justa”.

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"Para mim, ressalta o fato de que não há novidade conceitual nenhuma", escreveu Caetano. "Pode-se dizer que Roberto Carlos esteja se dirigindo ao público num tom de quem admite que o tema seja discutido, não como quem veta a hipótese de qualquer relativização da obrigatoriedade de autorização prévia. Mas isso porque Roberto era tido e sabido como o inimigo número um da invasão da privacidade. É notório que não era o meu caso, mas também ficou claro não ser o de Gil, Paulinha ou Djavan, por exemplo."

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Em 2007, Roberto Carlos conseguiu proibir a circulação da biografia “Roberto Carlos em Detalhes”, escrita por Paulo Cesar Araújo. A editora Planeta, que chegou a lançar o livro, teve de recolher toda a tiragem das livrarias.

Na entrevista ao "Fantástico", porém, adotou posição mais flexível. "Tem que se conversar e chegar a um equilíbrio. Sou a favor [da mudança na lei], mas desde que não se prejudique o biografado nem o biógrafo", afirmou Roberto Carlos, negando mudança de posição. "O que não pode é ferir a liberdade de expressão e o direito à privacidade. Juristas precisam estabelecer regras."

Neste sábado (2), a jornalista Mônica Bergamo, da "Folha de S. Paulo", afirmou que os dias do Procure Saber estão contados. A dúvida, segundo a colunista, é o momento em que o Procure Saber será encerrado, já que para participar das discussões sobre o tema que acontecem no fim do mês no Supremo Tribunal Federal (STF) é preciso que os artistas sejam representados por uma associação.

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