Centro Internacional de Fotografia divulga primeiro registo em áudio do fotojornalista; relembre trajetória e veja imagens do "melhor fotógrafo de guerra do mundo"

Robert Capa em Paris, 1952 - imagem do livro 'Sangue e Champanhe', da editora Record
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Robert Capa em Paris, 1952 - imagem do livro 'Sangue e Champanhe', da editora Record

Robert Capa colocou seu nome na história da fotografia com coberturas marcantes e ao fundar a celebrada agência Magnum. Suas imagens são amplamente conhecidas. Mas só nesta terça-feira (22), dia em que completaria 100 anos, Capa ganhou uma voz.

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O Centro Internacional de Fotografia divulgou uma recém-descoberta gravação de 1947, na qual Capa participa de uma entrevista de rádio ( clique aqui para ouvir ).

Até então, ninguém conhecia a voz do homem tido como o melhor fotógrafo de guerra do mundo.

Durante a entrevista, Capa fala sobre uma de suas imagens mais famosas, "Fallin Soldier" ("soldado caído"), tirada durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Muitos dizem que a foto, que mostra o exato momento em que um soldado é baleado, foi forjada - uma acusação sempre negada pelo biógrafo de Capa, Richard Whelan.

Na gravação, o fotógrafo afirma que o registro foi acidental. Segundo ele, a imagem foi feita na região de Andaluzia, quando estava nas trincheiras ao lado de 20 soldados republicanos que "morriam a cada minuto", enfrentando as metralhadoras do regime fascista com rifles velhos.

"Coloquei a câmera acima de minha cabeça e nem olhei ao clicar", afirmou Capa. "Fiquei na Espanha durante três meses e, quando voltei para casa, era um fotógrafo famoso porque a câmera que segurei acima de minha cabeça capturou o momento em que um homem foi baleado."

Robert Capa nasceu Endré Erno Friedmann em 22 de outubro de 1913 em Budapeste, na Hungria, filho de pais judeus. Estudou ciências sociais em Berlim, na Alemanha, onde começou, em 1931, a carreira de fotojornalista na agência Dephot, a mais importante da época.

A ascensão do nazismo o obrigou a deixar Berlim e ir para Paris. Para facilitar a venda de suas imagens, adotou o nome e assumiu a persona de "Robert Capa", mítico fotojornalista nascido nos Estados Unidos. Passou a ser seu próprio representante, contando com a ajuda da mulher, Gerda Taro, também fotógrafa.

A última foto de Capa vivo, tirada pelo amigo e colega Michael Descamps - imagem do livro 'Sangue e Champanhe', da editora Record
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A última foto de Capa vivo, tirada pelo amigo e colega Michael Descamps - imagem do livro 'Sangue e Champanhe', da editora Record

Em 1936, partiu com Gerda para a Espanha para cobrir a Guerra Civil Espanhola - no ano seguinte, ela morre durante a cobertura. A relação dos dois é tema do romance "Esperando Robert Capa", de Susana Fortes, recém-lançado no Brasil pela editora Record.

Após passagem pela China, Capa se estabeleceu em Nova York em 1939. Como correspondente na Europa, fotografou a Segunda Guerra Mundial, com destaque para o desembarque das tropas norte-americanas na praia de Omaha, no chamado "Dia D".

Em 1947, ao lado de Henri Cartier-Bresson, David Seymour, George Rodger e William Vandivert, fundou a agência Magnum, uma das mais importantes do mundo.

Nos anos 1950, durante visita ao Japão por causa de uma exposição de imagens da Magnum, foi convidado pela revista "Life" a fotografar a Guerra da Indochina, no sudeste da Ásia. Capa morreu durante a cobertura, em 25 de maio de 1954, ao pisar em uma mina terrestre em Thai-Binh.

Em 1995, a Overseas Press Club of America (OPC) criou a Robert Capa Gold Medal para premiar fotógrafos cujo trabalho dependeu de "coragem excepcional".

Com informações da AFP e do New York Times

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