Estreia em São Paulo o monólogo "Rosa", trabalho raro de uma atriz completa

Por Ana Ribeiro | - Atualizada às

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Indicada ao Prêmio Shell de melhor atriz, Debora Olivieri traz sua Rosa para o Teatro Faap

Divulgação/Dalton Valério
Debora Olivieri em cena no monólogo Rosa. O cenário é de Helio Eichbauer

Rosa está em casa na Faap. Na noite de terça-feira (1), estreia para convidados do espetáculo estrelado por Debora Olivieri, o Teatro Faap, em Higienópolis, bairro que reúne a elite da comunidade judaica em São Paulo, a plateia parecia lotada de descendentes de Rosa. 

Aos 80 e tantos anos, Rosa é uma mulher sofrida, que viu na vida muito mais do que os olhos humanos foram feitos para ver. Mas, dona daquele típico humor judaico, conta com ironia a sua história - que parece ir de um shivah (o luto judaico) a outro shivah -, despertando o riso da plateia.

Divulgação/Dalton Valério
Debora Olivieri em cena em "Rosa"

Suas memórias são uma sucessão de perdas. Nascida em Yultishka, cidadezinha perdida no meio da Ucrânia onde passa uma infância difícil, a jovem Rosa se muda para Varsóvia pouco antes do início da guerra, quando vê a Polônia ser invadida pelos nazistas. Ali ela perde sua segunda família. 

Começa a terceira na fuga de navio para a América, onde se instala inicialmente em Atlantic City, e a peça começa com uma Rosa já velhinha sentada no seu quarto de hotel em Miami Beach, sua última morada. 

"A gente passa a vida inteira esperando alguém escrever um texto para você, e o meu já estava escrito", diz Debora sobre a peça do judeu-americano Martin Sherman, autor também de "Bent", que trata da perseguição dos homossexuais pelo nazismo. "Olympia Dukakis estrelou a montagem de 'Rose' em Londres e na Broadway, na França o papel foi da Fanny Ardant. Olha que chique", brinca ela, que tem 55 anos de idade e uma dose garantida do seu próprio humor judaico.

Debora conta que na estreia em São Paulo tinha três gerações de sua família na plateia. "Estavam lá todos os irmãos da minha mãe ainda vivos, com seus filhos e os filhos dos seus filhos." E de certa forma, sua avó materna, Eva - que tinha uma irmã chamada Rosa -, também estava lá. "Vivi com ela muitos anos. A sonoridade da Rosa é a de minha avó."

É difícil fazer um monólogo, eu sou a minha própria deixa. Tenho que ter a emoção e não posso perder a razão, senão eu perco o texto e não sei mais o que vem a seguir."

Rosa é uma velhinha, sua memória falha muitas vezes - em certos momentos ela se questiona se viveu mesmo aquilo ou se é cena que viu em um filme -, mas é Debora quem tem de lidar com o longo texto, de 25 páginas, que recita com verdade, conhecimento de causa, leveza e até certa malícia durante uma hora e meia de espetáculo. "É difícil fazer um monólogo, eu sou a minha própria deixa. Tenho que ter a emoção e não posso perder a razão, senão eu perco o texto. Uma coisa leva à outra, se eu perco uma deixa não sei mais o que vem a seguir", explica ela. Mas a atriz, em sua primeira incursão no monólogo, destaca que tem um lado muito bom de estar sozinha em cena também. "A melhor parte é ver o público entender esse texto irônico, que tem várias camadas. Eu gosto de me apresentar para públicos inteligentes. E o público de teatro em São Paulo é muito inteligente."

Rosa, que tem direção de Ana Paz, fica em cartaz até dia 10 de dezembro.


Serviço:

ROSA

Teatro FAAP (500 lugares)

Endereço: Rua Alagoas, 903 – Higienópolis.

Informações e Vendas: 3662.7233 e 3662.7234.

Bilheteria: de quarta a sábado, das 14h às 20h. Domingo das 14h às 17h.

Segundas às 21h | Terças às 17h

Ingressos: R$ 60




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