Show em São Paulo foi encantamento mútuo: roqueiro fez versão de Raul Seixas e ganhou o público já na primeira música; plateia reagiu e emocionou o músico

Na noite de quarta (18), Bruce Springsteen salvou nossas vidas. Vinte e cinco anos depois da sua única apresentação no Brasil, o roqueiro norte-americano provou que está mais em forma do que nunca. Começou o show no Espaço das Américas, em São Paulo, sem enrolação: entrou, guitarra em punho à frente de sua numerosa banda, e atacou de cara com uma surpreendente interpretação em português de "Sociedade Alternativa", de Raul Seixas. O público reagiu imediatamente: "Olê, olê, olê, olê, Brucê, Brucê"!

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Foi esse o início de uma apresentação digna de uma série de adjetivos que não são para qualquer um: visceral, energética, pulsante e bastante carinhosa. Apesar de lenda, Bruce é a antítese do rockstar. É receptivo, brincalhão e gosta mesmo de interagir com o público.

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O roqueiro se atirou na plateia e o público o conduziu
Ana Ribeiro
O roqueiro se atirou na plateia e o público o conduziu

Em quase três horas e meia de show, o músico de 63 anos fez de tudo: deu um "dive" de costas no meio da platéia, que o conduziu pela multidão; correu para todos os lados; carregou uma fã mirim nos ombros; convidou um grupo de meninas para dançar com ele no palco; dividiu o palco com o garoto que queria pedir a namorada em casamento durante o show; pegou cartazes com mensagens e pedidos de música. Mas, principalmente, cantou - e tocou - muito.

Bruce Springsteen sendo conduzido pelo público
Ana Ribeiro
Bruce Springsteen sendo conduzido pelo público

Seu repertório inclui canções até hoje inesquecíveis, ("Born to Run", "Born in the Usa" "Dancing in the Dark" são apenas algumas) e seu amor ao palco, à banda, ao público, arrancou aplausos, gritos, palmas e reverências e conquistou definitivamente as várias gerações de admiradores presentes para vê-lo nesta apresentação que, junto com a noite de sábado (21) no Rock in Rio, encerram sua turnê mundial com a E Street Band, que passou por 26 países.

A mão e a guitarra do roqueiro
Ana Ribeiro
A mão e a guitarra do roqueiro

O segredo de Springsteen está na sua simplicidade. De jeans e camisa escuros, coturnos e munido da sua velha guitarra Telecaster, o roqueiro está jovem - e em esplêndida forma física. Ainda tem a mesma bunda da capa do disco "Born in the U.S.A.", de 1984, e exala a mesma energia quando canta sobre o amor, a realidade e sobre o cotidiano do homem comum. Faz tudo isso levando para o palco a alegria de um novato.

São incontáveis os hits que Springsteen deixou para a história do rock. Suas letras, honestas e sinceras, nos falam do sonho americano, do amor e muitas vezes da desilusão, mas também celebram a magia escondida no dia-a-dia e na rotina. Basta ouvir o refrão de "Born To Run" para entender: "Cause tramps like us, baby we were born to run" ("Vagabundos como nós, baby, nós nascemos para correr").

O roqueiro no show de São Paulo
Ana Ribeiro
O roqueiro no show de São Paulo

Um show de Springsteen é inesquecível. Em três horas e tanto de apresentação, com a camisa ensopada de suor, The Boss canta todos os seus sucessos: os rocks pesados, "Badlands"e Thunder Road", os hinos em que se transformaram muitas de suas músicas, "Because The Night", "Prove It All Night" e "Hungry Heart", baladas como "The River", e as novidades.

O público conhece todas e canta junto. A banda é imensa, são 16 pessoas no palco, sopros, violinos, percussão, backing vocals e três guitarras, entre eles o guitarrista e amigo de longa data Steven Van Zandt, e o jovem saxofonista Jake Clemons, sobrinho do amigo e também saxofonista Clarence Clemons, morto no ano passado e lembrado em imagens no telão.

Bruce Springsteen no show de São Paulo
Ana Ribeiro
Bruce Springsteen no show de São Paulo

Ficam para o final, em um dos inúmeros bis, as conhecidas "Born to Run", "Born in the USA" e "Dancing in the Dark" - é nesse momento que ele repete o sucesso do clipe de 1984, quando pega uma turma de meninas na platéia e dança com elas.

Springsteen encarna o ídolo, o herói do rock sem frescuras. Por isso mesmo, não há verdade maior do que a contida em "Dancing in the Dark": Não se acende um fogo sem uma faísca. Na noite de quarta, numa São Paulo gelada, a faísca de Sprinsgteen incendiou os nossos corações.

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