Depoimento - Vida Alves: "Atualmente a televisão está magnificamente benfeita"

Por iG São Paulo , Vida Alves, especial para o iG | - Atualizada às

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Atriz é até hoje conhecida como a mulher que deu o primeiro beijo na boca em uma novela ("Sua Vida me Pertence", em 1952); nos 63 anos da televisão no Brasil, ela relembra os primórdios do meio no país

Arquivo pessoal
Vida Alves

"Conheço e estou na televisão desde o primeiro dia. Eu vim do rádio. A TV Tupi de SP foi instalada pelo Assis Chateaubriand, que era dono, só em São Paulo, de vários meios de comunicação e, na ocasião, da rádio Tupi e rádio Difusora.

Eu era atriz de rádio. Quando ele comprou a TV Tupi, logicamente o mesmo elenco passou a fazer televisão. No começo, fazíamos televisão e radio. Com o tempo, o elenco foi separado. Os mais feinhos ou com as vozes mais fortes ficaram no rádio. Enfim, houve uma seleção natural.

A televisão foi adaptada do rádio. O que era bom para o rádio, era bom para a TV.

Havia musicais, orquestras e depois foram incluídos balés e concertos de música clássica. O teleteatro já aconteceu logo no primeiro ano e, um ano depois, a primeira novela. Nesta eu participei do primeiro beijo na boca, em dezembro de 1951.

Nosso grupo de atores e radialistas era jovem, mas com bastante respeito aos grandes textos. Então, se faziam adaptações dos principais teatros, cinemas e livros. A grande literatura foi adaptada para a televisão. Criou-se um grande teatro quinzenal, chamado 'TV de Vanguarda', e se faziam textos de Shakespeare e Dostoievski.

Foi uma ousadia dos jovens, já que era tudo ao vido – nada gravado. O videoteipe só veio 12 anos depois. Era a diversão do paulistano.

A televisão começou municipal, depois estadual e demorou em virar nacional. E agora é internacional. Hoje em dia ela está magnificamente benfeita. Assisti ao primeiro episódio de uma novela que se passa no Nepal ('Joia Rara'), que eu conheço, e achei lindíssimo.

Agora, por outro lado, frequentemente, os textos são um pouquinho menos cultivados, menos caprichados. Isso porque aconteceu uma coisa natural: democratizou-se a compra da televisão. O publico é muito maior e menos culto, então a novela, o musical – tudo – foi diminuído como categoria.

Fazia-se a principio encontros abertos com clássico – nós éramos jovens e procurávamos então nos apoiar em textos, já que a parte técnica era muito mais fraca. Agora a parte técnica é mais forte."

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