Processo de tombamento do Belas Artes é desarquivado pelo Patrimônio Histórico

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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Diretora do órgão municipal espera que o Conselho vote em um mês o primeiro passo para a reabertura da ação de preservação do tradicional cinema paulistano

A diretora do Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo, Nadia Somekh, desarquivou o processo de tombamento do Cine Belas Artes. O tradicional cinema foi fechado em março de 2011 depois que seu proprietário, Flávio Maluf, pediu o espaço para abrir uma loja.

J. Duran Machfee/Futura Press
Painéis colados nos tapumes do Cine Belas Artes

A decisão de Nadia foi tomada na última terça-feira (10), depois de receber o pedido de um grupo de pessoas que compareceu a uma audiência pública na quinta-feira passada (5) para discutir a construção de duas torres nas proximidades do Teatro Oficina, no centro.

“O processo estava arquivado, mas estudei o pedido e o desarquivei porque não houve uma consulta profunda à população”, afirmou a diretora ao iG. “Para nós, o patrimônio é construído pela sociedade. Se dois anos depois do arquivamento o clamor ainda não arrefeceu, é sinal de que algo deve ser transformado.”

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Assídua frequentadora do cinema, que ficava na esquina da avenida Paulista com a rua da Consolação, Nadia explica que a medida não garante a retomada do processo de tombamento, mas é o primeiro passo: “O departamento jurídico está cuidando de tudo. Espero que em um mês o pedido de retomada das discussões seja avaliado pelo conselho, que terá de votar a respeito”.

Nadia refere-se aos nove membros do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultura e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), do qual é presidente.

A justificativa da diretora é que faltou ao Conpresp ouvir mais atentamente a sociedade. Sua decisão vai ao encontro do parecer final de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal, que considerou o arquivamento uma “total dissonância às aspirações de parcela expressiva da sociedade paulistana que se viu frustrada face à atuação de seu órgão de proteção do patrimônio histórico e cultural”.

A diretora lembrou que a fachada do edifício já foi tombada pelo Condephaat (órgão estadual de defesa do patrimônio) em outubro de 2012. “Eu também ia ao Belas Artes na juventude. É uma área que precisa ser revista. Pode ser que o edifício não tenha valor histórico, mas o cinema tem valor de patrimônio, uma herança da sociedade.”

O iG entrou em contato com o advogado Fábio Luchesi Filho, que defende os interesses do proprietário, mas ele não respondeu a reportagem até o fechamento da matéria.

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