Antônio Fagundes sobre "Tribos", sua nova peça: "Ser preconceituoso é ser surdo"

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

Texto

Espetáculo discute situações de intolerância; estreia está marcada para 14 de setembro no Tuca, em São Paulo

Divulgação/Jairo Goldflus
Peça "Tribos"

"Comédia perversa" é como o ator Antônio Fagundes sintetiza a temática da peça "Tribos", que estreia em São Paulo no dia 14 de setembro. O texto original, escrito pela dramaturga inglesa Nina Raine, encantou Bruno Fagundes, filho de Antônio e produtor da inédita montagem brasileira.

"Vi (o espetáculo) em setembro do ano passado em Nova York e enlouqueci. Me deslumbrei com esse universo novo e, desde então, quero contar essa história", disse Bruno. Na peça, Billy (Bruno Fagundes) é um rapaz surdo de nascença em uma família intelectualizada que não aceita, por orgulho e preconceito, a característica diferente do filho.

Siga o iG Cultura no Twitter

"Se você tirar o surdo e colocar qualquer outra pessoa, seja um negro ou um judeu, o texto seria a mesma coisa. Ser preconceituoso é ser surdo", sentencia Antônio Fagundes sobre o comportamento do núcleo familiar da peça.

Atualmente, o ator interpreta o polêmico César da novela "Amor à Vida", que é  pai de um filho gay com o qual tem muitas desavenças. "O César é ético, mas seu outro lado é horrível", analisa sobre o personagem da TV que, de certo modo, se assemelha ao patriarca da peça.

Em "Tribos", Fagundes vive o papel de Christopher, o pai de família que ainda precisa lidar com as demandas de Daniel (Guilherme Magon), filho que sofre de esquizofrenia, e as frustrações de Ruth (Maíra Dvorek), filha que gostaria de ser cantora lírica.

A família ensina Billy a falar e fazer leitura labial como se quisesse se convencer de que o jovem não é surdo. Ao conhecer Sylvia (Arieta Correa), uma jovem mulher prestes a ficar surda e que lhe ensina a linguagem de sinais, Billy descobre novas possibilidades de comunicação - ao mesmo tempo em que adquire densos problemas com a família que o criou para negar a própria surdez.

A mãe Beth (Eliete Cigaarini) é uma das personagens que mais sente os efeitos da presença de Sylvia e o consequente contato de Billy com sua realidade de deficiente auditivo. "Quando a Sylvia chega e traz a linguagem de sinais, tudo desmorona para a mãe, é como se ela tivesse errado. Ela não enxerga a realidade e é surda de uma certa maneira", analisa Eliete.

A direção é de Ulysses Cruz, que acredita na modernidade e bom humor do texto para discutir o assunto com fluidez. "É uma família que reflete o século XXI e resume onde estamos. É uma peça muito divertida e que tem coragem de rir de si própria."

"Tribos"
Teatro Tuca (r. Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo)
Estreia em 14 de setembro
Horários: 21h30 (sextas e sábados) e 18h (domingos)
Ingressos: R$ 50 (sextas e domingos) e R$ 60 (sábados)
Vendas pelo site da IngressoRápido

    Leia tudo sobre: TribospeçaAntonio Fagundesigspteatro
    Texto

    notícias relacionadas