Com obras de até R$ 35 milhões, ArtRio 2013 espera receber 65 mil pessoas

Por Nina Ramos - iG Rio de Janeiro |

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Na abertura para convidados, umas das grandes atrações foi a galeria estreante Pace, de NY, com esculturas de Alexander Calder

Para os amantes da arte interessados em explorar por completo a ArtRio (Feira Internacional de Arte Contemporânea do Rio de Janeiro), o iG faz um aviso: a primeira providência a se tomar é colocar um sapato confortável para realizar a visita. Em seguida, selecione, entre as 106 galerias presentes, as que mais atiçam sua curiosidade (e seu bolso), porque é quase impossível apreciar tudo oferecido no evento com exímia atenção.

Novamente instalada no Píer Mauá, a terceira edição de um dos maiores eventos do segmento na América Latina ocupa, de 5 a 8 de setembro, os armazéns 1, 2, 3, 4, 5 e o Anexo 4 do cais, e abriga representantes de 13 países, além do Brasil. O que se vê é um imenso banho de arte de primeira qualidade - e muitas cifras.

"Batom", de Beatriz Milhazes. Foto: Nina Ramos/iG Rio de JaneiroObra de Alexander Calder. Foto: Nina Ramos/iG Rio de JaneiroEscultura de Alexander Calder. Foto: Nina Ramos/iG Rio de Janeiro"Sem título", obra recente dos irmãos grafiteiros Os Gêmeos . Foto: Nina Ramos/iG Rio de JaneiroFila do Geneal. Foto: Nina Ramos/iG Rio de JaneiroFila do Geneal. Foto: Nina Ramos/iG Rio de Janeiro

Diferentemente de outras edições, as galerias presentes neste ano não revelaram os preços de suas obras mais valiosas. Segundo Luiz Calainho, sócio e organizador da ArtRio ao lado de Brenda Valansi, Alexandre Accioly e Elizangela Valadares, o número de quanto a feira deve movimentar ainda é mistério. “O que posso dizer é que, certamente, o segundo ano movimentou mais do que o primeiro, e o terceiro movimentará mais do que o segundo”, disse.

Enfrentando a lei do silêncio das cifras, o iG apurou nessa quarta-feira (4), durante abertura somente para convidados, que a Pace, de Nova York, fechou a venda de uma escultura de Alexander Calder por US$ 8 milhões (R$ 19 milhões). Ainda há outras obras expostas do artista que podem alcançar a casa dos US$ 15 milhões (R$ 35,4 milhões). Aliás, o espaço da estreante na ArtRio foi a grande atração do dia dos clientes VIPs, que dividiam as atenções com as obras da gigante Gagosian, que mostrou trabalhos de Andy Warhol, Picasso, Albert Oehlen, Damien Hirst, entre outros.

As primeiras vendas saíram rápido. Falando sobre os brasileiros, a queridinha Beatriz Milhazes aparece em dobradinha no armazém 1: na Athena Galeria de Arte, com a colagem “Batom”, avaliada em R$ 1,5 milhão, e na Galeria de Arte Ipanema com a pintura “Madame Caduvel”, de 1996, que custa US$ 2,1 milhões (R$ 4,9 mi). “É peça única na feira e rara. A procura, claro, é bem grande”, disse um dos responsáveis pelo espaço.

Nina Ramos/iG Rio de Janeiro
Novamente instalada no Píer Mauá, ArtRio 2013 espera receber 65 mil pessoas

Em outro estande, da Galeria Almeida e Dale, era uma obra dos irmãos grafiteiros Os Gêmeos que atraia todos os olhares. Custando R$ 400 mil, a peça “Sem título” tem 2m por 1,60m e é recente (feita em 2012). Segundo a responsável pelo local, 90% dos interessados pelo trabalho eram de fora do país. “E se essa sair da parede, temos outra dos Gêmeos para repor”, falou.

Apesar dos números que assustam, para Calainho o objetivo da feira é aproximar a arte do cotidiano das pessoas. “A arte no Brasil sofre de um preconceito. Não é verdade, por exemplo, o que dizem que para você lidar com arte você precisa ser um profundo conhecedor. A arte não é fim, é meio. Portanto, ao ter contato com a arte, você vai gostar, se aprofundar e, então, aprender. O segundo preconceito é que para se relacionar com arte precisa ser biliardário. Lógico que não. Você encontra trabalhos de artistas maravilhosos com preço bom. As galerias até dividem o valor! As pessoas nem sabem disso, mas algumas dividem.”

Sobre os valores mais em conta, no espaço da Mul.ti.plo em parceria com a Escola de Artes Visuais do Parque Lage, do Rio, é possível encontrar gravuras feitas por nomes consagrados, como Iole de Freitas e Daniel Senise, por R$ 2.200. “Nós vamos contra a corrente do mercado das grandes cifras. É possível fazer arte gastando muito, como também é possível gastando muito menos. A gravura sempre foi a reprodução do melhor, e ela como possibilidade de linguagem é importantíssima”, opinou Maneco Muller, consultor da galeria. A Choque Cultural, de São Paulo, também exibe obras belíssimas a preços menores.

E se no ano passado a lotação de público deu dor de cabeça para a organização, neste ano o problema foi resolvido com limite de visitantes. “Esperamos, no máximo, 65 mil pessoas no total. Para ficar mais confortável. O tamanho das galerias também foi alterado. Aumentamos a metragem quadrada para que elas pudessem trazer obras de maior tamanho”, avisou Calainho.

Neste primeiro dia, os corredores receberam nomes conhecidos, como Vik Muniz, Adriana Varejão, José Wilker, Guilhermina Guinle e Alexia Dechamps, jovens interessados no assunto e também outros interessados apenas em bater perna e “dar pinta”, como dizem os cariocas, e muitos colecionadores especiais que rodam o mundo atrás de obras valorizadas. Onde todos eles se encontram de igual para igual? Na hora da fome. Seja rico, poderoso ou só fazendo tipo, era, no mínimo, curioso analisar a fila da barraquinha de um famoso hot dog do Rio. Vai ketchup aí?

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