Pato Fu e Arnaldo Baptista participam de espetáculo de teatro de bonecos

Por Susan Souza , iG São Paulo | - Atualizada às

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Grupo Giramundo encenará a peça "As Aventuras de Alice no País das Maravilhas" na Mostra Sesc de Teatro de Animação, em São Paulo

Divulgação
"As Aventuras de Alice no País das Maravilhas" do grupo Giramundo

A obra clássica de Lewis Carroll "As Aventuras de Alice no País das Maravilhas", publicada em 1865, será encenada em versão para teatro de bonecos com dublagem de Fernanda Takai e John Ulhoa, do Pato Fu, e do cantor Arnaldo Baptista. A adaptação não abandona as tradicionais técnicas de manipulação de objetos e ainda faz uso de mecanismos modernos para aprimorar o mergulho ao universo lúdico dos bonecos.

 "Estamos interessados em aprender tecnologias que nos permitam ver a imagem do boneco projetada e o controle do movimento", disse Marcos Malafaia, diretor e roteirista do espetáculo, em entrevista ao iG.

"As Aventuras de Alice no País das Maravilhas", do grupo Giramundo. Foto: Divulgação"As Aventuras de Alice no País das Maravilhas", do grupo Giramundo. Foto: Divulgação"As Aventuras de Alice no País das Maravilhas", do grupo Giramundo. Foto: Divulgação"As Aventuras de Alice no País das Maravilhas", do grupo Giramundo. Foto: DivulgaçãoArnaldo Baptista e Beatriz Apocalipse, diretora artística do grupo Giramundo. Foto: Divulgação

O grupo Giramundo é uma das companhias que fazem parte da Mostra de Teatro de Animação, que começa nesta sexta-feira (28) no Sesc, em oito cidades do Estado de São Paulo, e vai até 7 de julho. Ao todo, 21 companhias de vários lugares do País e grupos estrangeiros (como os espanhóis Cia Jordi Bertran e os ingleses Bootworks Theatre) encenarão seus espetáculos com diferentes técnicas de manipulação de bonecos.

Na montagem de "Alice", o famoso personagem do Gato Risonho (na obra de Lewis Carroll chamado de "Gato de Cheshire") pode ser considerado como uma das partes mais ousadas do espetáculo, pelo uso que faz do sensor de movimentos do Kinect para integrar o boneco com os movimentos do marionetista. "Isso representa uma popularização da tecnologia do 'motion capture' que em breve estará mais presente em nossas vidas", analisa Malafaia.

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Com a ajuda dos amigos Fernanda Takai e John Ulhoa, do grupo mineiro Pato Fu, o grupo Giramundo fez da pequena Alice uma pequena roqueira, influenciada por elementos do pop-rock da banda ao mesmo tempo em que abre para outras tendências musicais na criação da trilha sonora. "O Giramundo sabia que o rock já era a nossa praia, mas o Pato Fu é bem eclético, se precisasse teria algo acústico ou orquestral", disse John.

A composição da trilha, que John defende ser "mais do que apenas uma trilha sonora, porque há muita interferência na peça", foi iniciada a partir de muitas leituras do texto e resolvida quando influências musicais começaram a ser usadas. "Fui mais ou menos com uma marcação que eu imaginava e colocando umas referências. 'Ah, isso aqui é meio The Cure', por exemplo."

Além de buscar referências, foi preciso ajustar a métrica das composições para que o tempo de interação dos bonecos fosse costurado pela música com perfeição. "Foi um negócio muito minucioso e no final precisava de mais um segundo para dar tempo de o boneco fazer o movimento. Queríamos a música muito encaixada, mas que não se tornasse como um musical", explica John.

Parceria antiga

O Giramundo levou seus bonecos ao espetáculo "Música de Brinquedo ao Vivo", do Pato Fu, e já esteve presente em shows do começo da carreira, quando a banda lançou o primeiro disco, "Rotomusic de Liquidificapum", de 1993.

A parceria dos amigos acabou levando John e Fernanda a retribuir com a criação das músicas e também na dublagem de vozes em "Alice". Fernanda faz a voz da protagonista e John dubla a Tartatuga Falsa. "Ela canta numa tristeza porque sabe que vai virar uma sopa. E a sopa é boa", conta John rindo e imitando a voz de seu personagem.

O cantor e compositor Arnaldo Baptista, que fazia parte da banda Os Mutantes, também estreou na dublagem. Arnaldo dá voz ao Chapeleiro Maluco, um dos personagens mais interessantes do texto. "Ele (o Chapeleiro) é o próprio Arnaldo, tem a coisa dos trocadilhos, ele é muito perfeito para o papel", conta John, que sugeriu Arnaldo para a dublagem (os dois trabalharam juntos na produção do disco "Let it Bed", de 2004).

"Eu me inspirei na voz do Dr. Silvana, do Super-Homem, (que é) um cientista louco e mau. Fiz a gravação no estúdio do John e o resultado foi ótimo", conta Arnaldo Baptista sobre a interpretação do famoso Chapeleiro. "Improvisei e deu certíssimo. Foi tão profundo quanto o céu."

O diretor Marcos Malafaia não esconde o sonho de juntar os bonecos e o Pato Fu no palco, ao vivo, e descreve como "um desejo que precisa de ajustes técnicos" e "um compromisso de pesquisa, porque o impacto visual e dramático seria superior tendo a presença dos músicos junto aos bonecos".

O encantamento dos bonecos

Para Malafaia, o teatro de animação tem uma marca forte: "É uma vocação para representar o fantástico e o surreal e atrair a curiosidade dos adultos e das criancas. O teatro de bonecos também tem a característica de ser explicitamente um jogo, mas com uma porção de mágica. A criança já vive nesse mundo imaginário e nem questiona a possibilidade de vida do boneco, porque ela tem certeza de que ele é um ser vivo".

"As Aventuras de Alice no País das Maravilhas"
Sesc Pompeia (r. Clélia, 93 - Pompeia)
Dia 4/7, às 19h, 5/7, às 19h, 6/7 às 12h e 7/7 às 12h
Ingresso: R$ 8 (entrada franca nas áreas abertas)
Mais informações sobre a mostra no site do Sesc

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