Zé Celso recebe intimação policial por vídeo "Decapitando o papa na PUC"

Por Fernando Antonialli , iG São Paulo | - Atualizada às

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"Não foi um ato criminoso, foi um ato democrático", diz o dramaturgo sobre cena

Um dos grandes nomes do teatro brasileiro, Zé Celso Martinez Corrêa recebeu uma intimação policial pelo vídeo "Decapitação do papa na PUC". A gravação mostra uma cena da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, da qual Zé Celso é diretor.

A apresentação foi realizada em meio a protestos na PUC-SP por democracia, depois de a professora Anna Cintra ter sido nomeada reitora, mesmo tendo ficado em terceiro lugar nas eleições.

O dramaturgo Zé Celso Martinez Corrêa. Foto: DivulgaçãoDramaturgo recebeu intimação policial pelo vídeo "Decapitando o Papa na PUC". Foto: Mariana MaltoniFoto de arquivo de 11/09/2008 do diretor do Teatro Oficina. Foto: AEZé Celso comanda atores do Teatro Oficina. Foto: AEPeça de Zé Celso Martinez. Foto: Valmir MoratelliEspetáculo de Zé Celso no encerramento da 9ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), em 2011. Foto: AE

"Acho que a gente não deve comparecer, não tem sentido comparecer", disse Zé Celso em entrevista ao iG. Segundo a intimação, ele deve, na próxima terça-feira (11), apontar um representante do Teat(r)o Oficina que possa reconhecer os participantes do grupo presentes em vídeos e fotos da apresentação. "Teatro não tem mais censura, isso é um ato anti-institucional", afirma o dramaturgo.

Segundo Zé Celso, na cena o papa é representado por "um boneco, que é desvestido de suas máscaras até chegar a uma pessoa". No final, o religioso é decapitado por outros dois personagens da peça, que foi adaptada de  um texto de Brecht. "Não foi um ato criminoso, foi um ato democrático", disse o dramaturgo sobre a apresentação.

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A nomeação de Anna Cintra, candidata menos votada nas eleições para a reitoria, revoltou a comunidade puquiana e motivou uma greve, à qual apenas as faculdades de Administração e Artes do Corpo não aderiram.

O dramaturgo, que também foi aluno da Universidade, percebe na nomeação da reitora uma atitude retrógrada. "Fui aluno quando a PUC era fundamentalista. (A universidade) Evoluiu, e agora querem voltar ao que era", afirma. "Eles querem fazer da igreja uma escola".

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