Ai Weiwei retrata em obra período em que ficou preso

Por The New York Times | - Atualizada às

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Seis dioramas do artista chinês são exibidos em Veneza, paralelamente à Bienal de artes

Durante um ano e meio, o artista Ai Weiwei e um amigo escultor supervisionaram uma equipe de 20 a 30 pessoas labutando em segredo em um de seus projetos mais pessoais e políticos.

Sua tarefa era reconstruir cenas de detenção ilegal de Ai em 2011, quando ele foi detido por 81 dias em uma prisão secreta guardada por uma unidade paramilitar. O que tomou forma na primavera deste ano em um espaço industrial na capital chinesa foram seis dioramas de fibra de vidro que retratam, em escala, sua existência diária, muitas vezes banal, como um cativo do governo.

Diorama de Ai Weiwei em exposição em Veneza. Foto: Cristiano Bendinelli/The New York TimesDiorama de Ai Weiwei em exposição em Veneza. Foto: Cristiano Bendinelli/The New York TimesDiorama de Ai Weiwei em exposição em Veneza. Foto: Cristiano Bendinelli/The New York TimesDiorama de Ai Weiwei em exposição em Veneza. Foto: Cristiano Bendinelli/The New York TimesDiorama de Ai Weiwei em exposição em Veneza. Foto: Cristiano Bendinelli/The New York Times

Os dioramas foram discretamente transportados para fora da China, Ai se recusou a dizer exatamente como - a Veneza, onde são exibidos publicamente em um edifício renascentista em Giudecca, uma ilha usada como galeria de arte do Espaço Projeto Zuecca, em paralelo à Bienal de Veneza de 2013, embora não seja oficialmente parte dela.

Cada diorama foi colocado em uma caixa de ferro de 2 toneladas. Há esculturas de Ai dormindo, comendo, tomando banho, passando por interrogatório e sentado no vaso sanitário, tudo sob o olhar de dois jovens guardas em uniformes verdes. Ai disse que os detalhes foram minuciosamente recriados a partir da memória.

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Cristiano Bendinelli/The New York Times
Visitantes observam dioramas de Ai Weiwei em Veneza

Junto com um vídeo obsceno publicado online na semana passada, os dioramas são as primeiras peças de AI sobre sua detenção, que foi o período mais difícil de sua vida, disse. Em uma manhã recente em seu estúdio e em casa, no norte de Pequim, ele explicou em uma entrevista que seu objetivo era simples: "Dar às pessoas uma compreensão clara das condições".

Ai, 56, tem outro trabalho que está sendo mostrado por Zuecca, que comenta o terremoto de Sichuan de 2008. Ele também tem uma parte mais conceitual em Veneza que utiliza 800 pequenos bancos de madeira e é uma tentativa de construir uma "estrutura animada" que é "completamente disfuncional". Esse trabalho faz parte de uma exposição coletiva para o pavilhão alemão na Bienal.

"A China ainda está em guerra constante na tentativa de destruir a natureza dos indivíduos, incluindo sua imaginação, curiosidade, motivações, sonhos", disse Ai. "A melhores mentes deste Estado foram desperdiçados neste alto controle ideológico, que é falso. Mesmo as pessoas que estão tentando usá-lo como uma ferramenta para manter o poder ou a estabilidade sabem que esta é uma condição completamente falsa."

Os ataques de Ai contra o Partido Comunista fizeram dele uma figura polêmica no mundo da arte chinesa. Muitos artistas ressentem silenciosamente a atenção dada a Ai no ocidente.

A recepção da crítica no ocidente é muito positiva e levou a uma exposição na Tate Modern, em Londres, que foi amplamente elogiada. Já uma retrospectiva de Hirshhorn, em Washington, teve críticas mistas.

"Pode a arte política ainda ser boa arte?", questiona Ai. "Essas dúvidas são constantes. As pessoas não estão acostumadas a conectar arte e luta diária, mas sim a usar a alta estética, ou a chamada alta estética, para tentar separar ou purificar as emoções dos seres humanos daquele que é o mundo real."

Os seis dioramas, intitulados "sagrado", são mais pessoais. Desde sua libertação, há dois anos, Ai está obcecado com os detalhes de sua prisão e as provações de vários amigos que também foram perseguidos.

"Tenho certeza de que ela será uma peça poderosa", disse Karen Smith, uma historiadora de arte e curadora independente que já viu fotografias do projeto. "Este trabalho sugere a necessidade de enfrentar o 'demônio' que tal experiência certamente representa para ele."

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