Festival traz companhias de dança inéditas e convida plateia ao palco

Por Fernanda Aranda , iG São Paulo |

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Vídeo ensina passo a passo da coreografia do grupo Quasar para quem quiser treinar antes das apresentações; espetáculos começam em 1º de maio

O mote do festival o Boticário na Dança é a “mistura”, define a curadora Sheyla Costa sobre o evento que acontece entre 1º e 9 de maio. Com esse objetivo, 14 espetáculos pretendem fazer dos palcos de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba - cidades que recebem a turnê - um espaço de diversidade artística, frequentado até por amadores que nunca dançaram antes.

Companhia Quasar convida a plateia ao palco e interessados podem aprender coreografia pela internet. Foto: DivulgaçãoShen Wei Dance Arts dança pela primeira vez na América Latina e mistura artes plásticas no enredo. Foto: DivulgaçãoShen Wei é o coreógrafo que assinou a abertura das olimpíadas de Pequim. Foto: DivulgaçãoA companhia Pepping Tom . Foto: DivulgaçãoA mineira Mimulus mistura danças de salão do mundo todo e interage com o cenário. Foto: DivulgaçãoBallet Maribor faz uma versão moderna de Romeo e Julieta com trilha do Radiohead. Foto: DivulgaçãoBruno Beltrão, do Grupo na Rua, traz b-boys em meio ao balé contemporâneo. Foto: Divulgação

A programação (veja abaixo) conta com companhias internacionais que nunca vieram à América Latina, entre elas a Shen Wei Dance Arts - do coreógrafo chinês Shen Wei, radicado nos Estados Unidos, artista plástico e responsável pelas coreografias da abertura das Olimpíadas de Pequim. A Maribor Ballet, da Eslovênia, também estará presente e traz uma versão moderna do clássico "Romeo e Julieta" (em sapatilhas de ponta) que dançam ao som das músicas da banda inglesa Radiohead.

Os ingressos custam a partir de R$ 10, com apresentações ainda da Hofesh Shechter, do coreógrafo israelense de mesmo nome - que faz o corpo de baile dançar durante a apresentação ao vivo de uma banda de rock pesado - e a Peeping Tom, sediada em Bruxelas, que usa na dança a linguagem do teatro.

Pela internet

Apesar do ineditismo dos estrangeiros que reúnem diversas manifestações artísticas, é na proposta do brasileiro Henrique Rodovalho, diretor artístico do grupo goiano Quasar, que fica mais evidente o conceito de interatividade proposto pelo festival.

O espetáculo “No Singular” atrela a técnica dos bailarinos à dança dos leigos. A plateia é convidada a subir ao palco durante a apresentação, musicada ao vivo pela cantora Grace Carvalho (que esteve entre as participantes do reality da Globo The Voice Brasil). Para quem quiser já treinar a coreografia, o diretor postou o passo a passo da dança no Youtube.

“A ideia foi usar a possibilidade de aproximação que só a internet permite”, explica Rodovalho. “O resultado, que já atestamos em outras apresentações, é que a plateia deixa de ter como função só a contemplação e pode experimentar a sensação de protagonista. Em outras turnês, eu encontrava o público ensaiando a coreografia aprendida virtualmente minutos antes da nossa estreia. É um barato”, avalia.

Segundo Rodovalho, esse contato íntimo faz com que a manifestação artística rompa barreiras e saia dos limites do teatro. “Já é um conceito mais antigo nas artes plásticas e agora o estilo democrático chega forte à dança”, pontua o diretor artístico que, ele próprio, só encontrou a dança como carreira aos 20 anos, na faculdade de Educação Física. Antes, o “corpo bailava” ao ritmo das artes marciais e do vôlei.

Mistura artística

Além do Quasar, outro grupo brasileiro que faz parte do festival e que também coreografa “a mistura” é a companhia carioca Grupo de Rua, dirigida por Bruno Beltrão.

No espetáculo H3, nove jovens alternam o estilo livre do hip hop e os movimentos mais precisos da dança contemporânea. Na apresentação, os sons que marcam a dança também são feitos com o corpo dos b-boys.

A bailarina Bárbara Lima, 27 anos, que há 1 ano e meio faz parte do Grupo de Rua, avalia que a junção no palco é refletida em um “mix” na plateia.

“Acaba despertando o interesse em quem se identifica com um dos estilos e o público fica mais diversificado. Mesmo que você não se identifique com o todo, pode ser atraído por uma parte”, afirma ela que tem a diversidade na carreira: começou no estilo clássico aos seis anos, migrou para o contemporâneo já adolescente e encontrou o hip hop como vocação há quatro anos.

Já para a companhia mineira Mimulus resultar o espetáculo contemporâneo “Por um Fio” - que também está entre as atrações do Festival - a receita do diretor Jomar Mesquita foi misturar danças de salão praticadas no mundo todo, com referências da salsa, tango e samba, com bailarinos que dançam em dupla mas também tem o cenário como parceiros.

A curadora Sheyla confirma que a palavra de ordem na seleção dos grupos que fazem parte da turnê do Boticário foi a interação. “Procuramos companhias que seguem a tendência de não mais segmentar”, diz. “Não há a divisão balé é balé, teatro é teatro, música é música. O conceito de arte é maior, engloba tudo. É isso que queremos para a dança também.”

Os grupos internacionais fazem apresentações nas três cidades. Já os brasileiros, por questão de agenda, não

Confira a programação:

São Paulo – Auditório do Ibirapuera

1º e 2 de maio: Shen Wei

Dia 3 de maio: Hofesh Shechter

Dia 4 de maio: Peeping Tom

Dia 5 de maio: Maribor Ballet

Dia 6 de maio: Grupo de Rua e Quasar

Informações:

4003-2330 (capitais e regiões metropolitanas)

041-11-4003-2330 (demais regiões)

Rio de Janeiro – Theatro Municipal

Dia 4 de maio: Shen Wei

Dia 5 de maio: Hofesh Shechter

Dia 6 de maio: Peeping Tom

Dia 7 de maio: Mimulus e Maribor Ballet

Dia 8 de maio: Grupo de Rua e Quasar

Informações

4003-2330 (capitais e regiões metropolitanas)

041-11-4003-2330 (demais regiões)

Curitiba- Teatro Guaíra

Dia 7 de maio: Shen Wei Dance Arts

Dia 8 de maio: Peeping Tom

Dia 9 de maio: Maribor Ballet

Informações:

41-3304-7900 ou 3304-7999

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