"Uma História de Amor e Fúria" viaja na história do Brasil em ritmo pop

Por Reuters |

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Animação brasileira dirigida por Luiz Bolognesi conta com vozes de Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro

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Seis anos de trabalho foram consumidos na pesquisa e realização da sofisticada animação brasileira "Uma História de Amor e Fúria". O premiado roteirista Luiz Bolognesi dá continuidade a um ótimo trabalho (conduzido em parceria com sua mulher, a diretora Laís Bodansky) na criação de histórias com foco no público jovem, como "Bicho de Sete Cabeças" (2000) e "As Melhores Coisas do Mundo" (2010).

Desta vez, Bolognesi assina sozinho o roteiro e a direção e conta com a preciosa adesão de três dos mais consagrados atores brasileiros para dublar as vozes dos protagonistas de uma saga que percorre seis séculos da história do Brasil: Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro.

Leia também: 'Uma História de Amor e Fúria' defende luta política e resistência

A animação brasileira em 'Uma História de Amor e Fúria', de Luiz Bolognesi. Foto: DivulgaçãoRodrigo Santoro, o diretor Luiz Bolognesi, Camila Pitanga e Selton Mello no Festival do Rio. Foto: AgNewsO futuro apocalíptico do Rio de Janeiro em 'Uma História de Amor e Fúria'. Foto: DivulgaçãoA animação brasileira em 'Uma História de Amor e Fúria', de Luiz Bolognesi. Foto: DivulgaçãoA animação brasileira em 'Uma História de Amor e Fúria', de Luiz Bolognesi. Foto: DivulgaçãoA animação brasileira em 'Uma História de Amor e Fúria', de Luiz Bolognesi. Foto: Divulgação

Desde o início, deixa-se de lado qualquer ranço didático, recorrendo a uma pegada pop, de história em quadrinhos, para contar as aventuras de Abeguar (voz de Selton Mello). Guerreiro tupinambá que foi escolhido pelos deuses para tornar-se imortal, ele tornou-se capaz de transformar-se em pássaro e renascer em diversas épocas para sustentar uma eterna luta contra Anhangá - divindade que é a senhora das sombras na mitologia indígena.

Adota-se aqui uma visão da história nacional que coloca em primeiro plano seus movimentos contestadores, levando em conta o ponto de vista de setores que, mesmo derrotados pela ordem vigente, impregnaram a cultura do País, como os indígenas, escravos africanos, estudantes e militantes políticos dos anos 1960 e 1970.

Mudando de identidade mas mantendo intacta sua essência libertária, Abeguar, no período colonial, é um dos raros sobreviventes de um massacre promovido pelos portugueses. Sua grande paixão é Janaína (voz de Camila Pitanga).

Dando um salto de 200 anos à frente no tempo, o guerreiro reaparece, agora como um sitiante negro, no Maranhão de 1825, reencontrando Janaína transformada em outra mulher, num período abalado por rebeliões de escravos, barbaramente reprimidas.

Veja o making of de "Uma História de Amor e Fúria":

Outros 130 anos se passam, e os dois ressurgem no Rio de Janeiro, em 1968, como estudantes que aderem à guerrilha contra a ditadura militar, enfrentando a repressão e a tortura. Tempos depois, no Rio dos anos 1980, alguns dos ex-guerrilheiros se transformam em ativistas sociais em favelas assoladas pelo tráfico de drogas e a violência policial.

O último segmento é no futuro, em 2096, quando o Rio tornou-se uma cidade segura, defendida por milícias particulares - no entanto, também um lugar em que a água, escassa, é uma mercadoria caríssima, vendida a peso de ouro pela estatal Aquabrás. Mais uma vez, o casal integra um grupo de opositores ao sistema autoritário.

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Além da grande liberdade da narrativa nestas passagens de tempo, por se tratar de uma animação, é visível que o roteiro dedicou grande cuidado ao delineamento dos personagens. A atuação, por sua vez, ganhou muito com a decisão de os atores interpretarem todo o texto previamente em estúdio, o que serviu como guia para balizar toda a produção.

Por problemas de agenda, eles não puderam estar juntos, mas atuaram ouvindo as vozes uns dos outros. Rodrigo Santoro faz dois personagens: o cacique Piatã, do primeiro segmento, e um dos guerrilheiros, na parte de 1968/1980.

No aspecto visual, usou-se técnica tradicional, desenhando-se os personagens no papel, imprimindo um grande realismo nos detalhes, como na manutenção da nudez dos índios no período colonial. No áudio, os atores também gravaram trechos no idioma indígena original, o tupi.

A fotografia, de Anna Caiado e Daniel Greco, e a montagem de Helena Maura garantiram uma extraordinária fluência de imagens, que são embaladas por uma criativa trilha roqueira, assinada por Rica Amabis e Tejo Damasceno (do coletivo Instituto) e Pupillo.

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