"O Brasil me deu a alegria da cor", diz pintor português José Moura-George

Por Luísa Pécora , iG São Paulo | - Atualizada às

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Artista plástico retrata relações entre os dois países em exposição que chega em abril a São Paulo

Antes de desembarcar no Rio de Janeiro pela primeira vez, na década de 1970, o pintor português José Moura-George já tinha vivido em Lisboa, Londres e Nova York. Sem saber, ele dava início a uma nova fase da carreira. "O Brasil me deu a alegria das cores", afirmou, em entrevista ao iG, entregando o motivo de a nova exposição em São Paulo, que entra em cartaz em 12 de abril (11 de abril para convidados), ser intitulada "Cores e Redescobertas".

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Parte das comemorações do Ano Brasil Portugal, que começaram em 7 de setembro de 2012 e vão até 10 de junho de 2013, a mostra reúne 11 painéis pensados especificamente para o local de exposição, a Sala Camões do Consulado de Portugal em São Paulo. Nas obras, Moura-George retrata de modo bastante pessoal os séculos de relação entre os dois países, além de projetar um futuro promissor de maior colaboração cultural, científica e econômica.

Divulgação
O pintor português José Moura-George

As cores são, sem dúvida, o traço principal dos trabalhos que serão exibidos. “Nos anos que passei na Inglaterra, minhas obras eram mais cinzentas, alguns tons abaixo”, afirmou o pintor de 69 anos, que atualmente vive em São Paulo. “Por onde a gente vai, apanha luzes e cores. O Brasil é um dos lugares mais coloridos, é um 'plus' na minha carreira.”

Nascido em Lisboa em 1944, Moura-George mudou-se para a Inglaterra aos 13 anos. Nas duas décadas que passou no país, estudou artes plásticas e design (área na qual desenvolveu trabalhos importantes, mas da qual se sente praticamente aposentado). Na década de 1970 viveu e trabalhou nos Estados Unidos, onde um cliente lhe sugeriu que conhecesse o Brasil.

A chegada ao Rio de Janeiro, segundo o pintor, foi uma experiência única. "Eram 6h, o dia estava lindo, achei tudo maravilhoso. Fiquei apaixonado pela luz, pelo cheiro, pela música", lembrou. Decidiu, então, se instalar com a mulher e os filhos em São Paulo. "No Rio não ia conseguir trabalhar", brincou, para depois elogiar também a "beleza metropolitana" da capital paulista. "É uma cidade de amplitude cultural do nível de Nova York, com atividade constante", definiu.

A partir daí, ele nunca deixou totalmente o Brasil, embora tenha continuado viajante, com idas aos EUA, Portugal e outros países. Também conheceu e expôs em diferentes Estados brasileiros, com direito a uma temporada na Bahia. Há dois anos, voltou a ter São Paulo como base.

'Terra à vista', de José Moura-George. Foto: Divulgação'Telecomunicações', de José Moura-George. Foto: Divulgação'Pesquisa', de José Moura-George. Foto: Divulgação'Tecnologia', de José Moura-George. Foto: Divulgação'Medicina', de José Moura-George. Foto: Divulgação'Fogo', de José Moura-George. Foto: Divulgação'Floresta', de José Moura-George. Foto: Divulgação'Energias renováveis', de José Moura-George. Foto: Divulgação'Descobertas', de José Moura-George. Foto: Divulgação'Biologia', de José Moura-George. Foto: Divulgação

Nesse período, o artista pôde observar as profundas transformações pelas quais o País passou. "Basta ter dois olhos no rosto para saber que o Brasil mudou", afirmou, citando redução da pobreza, maior acesso à cultura e avanços no setor de pesquisa. "O Brasil se tornou uma potência. Mas não é um Brasil novo, é o Brasil que esperávamos. Falávamos no país do futuro, e o futuro chegou."

A crise econômica que atinge Portugal não impede que Moura-George tenha uma visão otimista sobre o futuro dos dois países e das relações bilaterais, algo claro na obras da exposição, que abordam temas como medicina, biologia, energias renováveis e telecomunicações.

"Acho que a união dá força ao Brasil, com a dimensão que tem, e a Portugal, pela penetração na Europa e na África, especialmente Angola e Moçambique", afirmou. "Portugal não vai se levantar sozinho dessa crise. Há muito o que se fazer na política e no comércio. Sinto que os brasileiros têm muito a dar aos portugueses, e vice-versa."

Para o próprio Moura-George, o futuro também é de movimentação. Entre os seus planos está um curso sobre arte contemporânea brasileira no Instituto Tomie Ohtake, no qual se matriculou para "ficar por dentro do que se passa". “Temos de estar sempre aprendendo.”

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