Após anos sem apoio da prefeitura, grupos da capital recebem autorização do governo e patrocínio de cerveja

Depois de passar por problemas diversos, desde falta de apoio estrutural até confrontos com a polícia, os blocos e cordões de carnaval independentes da cidade de São Paulo voltam a ter liberdade para desfilar pelas ruas da cidade.

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Imagem do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta
Divulgação/Frâncio de Holanda
Imagem do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta

Um dos fatores cruciais para a mudança foi o Manifesto Carnavalista, ação organizada em 2012 em defesa do carnaval de rua da capital paulista. O objetivo dos blocos envolvidos, como o Kolombolo Diá Piratininga e o Vai Quem Quer, é a legalização de seus trajetos sem envolvimento com as entidades Abasp (Associação das Bandas Carnavalescas de São Paulo) e ABBC (Associação das Bandas, Blocos e Cordões Carnavalescos do Município de São Paulo), até então únicas que recebiam apoio da prefeitura e cujos desfiles ocorrem principalmente no bairro da Luz.

"Desde que nós nascemos, em 2009, em todos os anos ocorreram sucessivos problemas e questões de proibicionismo. É a dificuldade absurda de lidar com uma mentalidade que não entende a importância do carnaval de rua, que só valorizava carros e as regras que não podem ser quebradas", disse Alê Youssef, presidente do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. Em 2010, ele recebeu voz de prisão por ocupar a rua com o desfile.

Imagem do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta
Divulgação/Frâncio de Holanda
Imagem do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta

De acordo com Youssef, o Manifesto Carnavalista surtiu efeitos positivos para os blocos envolvidos. "A prefeitura se mostrou disposta e a ordem é facilitar as liberações para que os blocos possam ir às ruas. Apesar dos vários 'senãos' que ouvimos na reunião com representantes da CET, Polícia Militar, SPTuris e SPTrans, o subprefeito da Sé, Marcos Barreto, foi muito parceiro do bloco e da necessidade de reestabelecimento do carnaval de rua da cidade".

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Em conversa com o iG , Marcos Barreto, que assumiu a subprefeitura da Sé no começo da gestão do prefeito Fernando Haddad, disse que acompanhava pela imprensa a situação dos blocos independentes.

"Quando fiz a primeira reunião, entendi que a SPTuris se preocupava em garantir a segurança e a estrutura dos blocos oficiais e fiquei surpreso, pois é uma quantidade pequena, se não me engano 13 blocos", contou o subprefeito, que se mobilizou ao lado da Secretaria de Cultura para apoiar os blocos não oficiais.

"A partir desse momento apareceram inúmeros pedidos. De uma forma geral, caminhamos para a aprovação, salvo quando houve necessidade de alguma mudança", afirma Barreto, citando o caso do Bloco Unidos da Maria Antônia (BUMA) como exemplo. "O trajeto original passava junto à Santa Casa. Conversamos com eles para mostrar que esse não era um caminho possível, e eles fizeram uma mudança no percurso".

Outro caso envolveu o Acadêmicos do Baixo Augusta, que encerra seu desfile na praça Roosevelt. "Como o local tem muitos prédios residenciais, pedimos para que eles terminem às 20h", disse Barreto. "Me parece que a receita tem sido o bom senso e o diálogo. Colocamos o ponto de vista dos blocos e da CET, SPTrans, Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana".

Para o carnaval de 2014, a ideia da prefeitura é publicar um edital, com antecedência, na tentativa de proporcionar mais estrutura aos blocos, como banheiros químicos, além da presença da CET, do policiamento e da limpeza das ruas após os desfiles, garantidos na festa deste ano.

Simoninha puxando o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta
Divulgação/Frâncio de Holanda
Simoninha puxando o bloco Acadêmicos do Baixo Augusta

Apoio privado

Além do diálogo estabelecido pelos órgãos públicos, alguns blocos receberão apoio da iniciativa privada. É o caso da Confraria do Pasmado, do Vai Quem Quer e da banda Fuxico, que se prepara para animar mais de 20 mil pessoas neste domingo (dia 3) no Largo do Arouche.

"É a primeira vez que apoiamos de forma massiva o carnaval de rua de São Paulo. São ao todo 45 blocos, sendo que a maioria acontece já neste fim de semana e no início da próxima, em festas de pré-carnaval", disse Gustavo Araújo de Castro, gerente de eventos da Skol.

Apesar de não divulgar o valor investido, a empresa disse que o apoio acontece por meio de ajuda financeira, produção de camisetas personalizadas e melhora na estrutura de banheiros e limpeza.

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