Morador do Copan conta como é viver em uma obra de Niemeyer

O prédio, no centro de São Paulo, é um projeto visionário do arquiteto: com apartamentos de diversas plantas e espaços comerciais, abriga moradores e frequentadores de vários perfis

Mario Vitor Santos , especial para o iG

Mario Victor Santos
Vista da janela do apartamento de Mario Vitor Santos no 14º andar do Copan

Viver no Copan é viver num lugar misto, ou seja, misturado.

Moram os pobres, prestadores de serviços de todo tipo, manicures, bombeiros, cabeleireiros, trabalhadores de serviços de mudança.

Há os de classe média baixa, aposentados, redatores, tradutores, caixas, pastores, prostitutas, travestis, atores.

Há os de classe média alta, designers, fotógrafos, costureiros, donos de casas noturnas, pilotos, chefs.

Há até os ricos, que às vezes têm que se encontrar com o morador da kitinete do bloco b no corredor conduzindo um alegre periquito no ombro.

Uma famosa onda de concreto que a cidade penetra, deflorando o mundinho sufocante da casa paulistana.

Todos vivem com uma condição comum, não importa o tamanho do apartamento: as janelas amplas com vidro do chão ao teto, de parede a parede, que são um tapa na cara da arquitetura brega e velha imposta em seguida a Niemeyer.

Um prédio que não nega São Paulo, não tem medo de sua feiúra.

Uma famosa onda de concreto que a cidade penetra, deflorando o mundinho sufocante da casa paulistana. O Copan é mistura também de residência, arte e shopping, de uma possibilidade de convívio com uma cidade que integra e não discrimina os nóias da droga para impor a força dos outros.

Mario Vitor Santos é jornalista, diretor da Casa do Saber, e mora no Copan há 10 anos

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