Artista paulistano de 35 anos lança projeto em que usará o corpo de seis pessoas para desenvolver uma série de tatuagens

É curioso que um artista tão mergulhado em ritos do passado como Stephan Doitschinoff dê ao seu segundo livro o nome "Cras" - em latim, "amanhã". "Esse título é quase um xeque-mate", explica ao iG o artista paulistano de 35 anos. "Ele foi planejado para ser lançado exatamente agora, com tantas pessoas acreditando no fim do mundo. Estamos em um momento de crise civilizatória, há um senso de urgência em relação a questões que precisam ser resolvidas, mas não são. A sensação é que nós mudamos o mundo de forma muito mais rápida do que conseguimos mudar nós mesmos."

As discussões em torno da obra de Doitschinoff serão aprofundadas com o lançamento de "Cras", livro luxuoso editado pela alemã Gestalten ( o livro, com texto em inglês, custa 44 euros ; uma edição em português está em fase de captação de patrocínio para ser lançada em 2013) mas feito com olhar cuidadoso do artista: "O livro é um conceito meu. Desenvolvi junto com o Pedro Inoue (designer gráfico), misturamos tipografias e ilustrações, criamos iluminuras especialmente para a obra".

O livro foi todo produzido em São Paulo. "Só então mandamos para a Alemanha, para a impressão", diz Doitschinoff. "Cras" foi publicado na Europa em setembro. Para sua chegada ao Brasil, foi preparada uma espécie de "semana Stephan Doitschinoff" no MAM de São Paulo, com lançamento do livro, evento com Alex Atala, palestra e encontro com o público ( mais informações ao final do texto ).

As 224 páginas de "Cras" repassam os últimos quatro anos do trabalho de Doitschinoff - os quatro anos desde o lançamento de seu primeiro livro, "Calma". Todas as pinturas foram fotografadas pelo artista, e algumas reproduções têm closes em tamanho maior do que o real. "Trazem o símbolo à tona também plasticamente”, diz o artista.

Símbolos e religião

A simbologia (religiosa, filosófica) é a principal marca do trabalho de Doitschinoff - uma de suas imagens mais recorrentes é a de uma capela afundando (ou pegando fogo). Mas o artista refuta a ideia de que a conotação religiosa domine totalmente suas obras.

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"A capela decrepita é um simbolo apropriado para falar de outras instituições contemporâneas em declinio, como governos ou corporações", afirma. "Um dos temas do livro é esse, é o uso de ícones e símbolos ligados a diferentes religões e filosfias para falar de questões de comportamento, de políticas. Não podemos esquecer que muitos símbolos vieram antes das religões, símbolos como a morte, o sacrifício, a mae, a destruição."

Doitschinoff vê como "natural" a análise fincada na religião que é feita de sua obra. "A plastica é o que marca. Mas a questão que busco é o abismo que existe entre religião e espiritualidade."

Tatuagem

Pintura, escultura, instalação, fotografia. Doitschinoff ampliará o suporte de sua obra com novo projeto. É o Cras Tattoo Project, no qual vai desenvolver uma série de tatuagens de grandes proporções no corpo de seis voluntários (três mulheres e três homens).

Os desenhos serão criados por Doitschinoff, mas tatuados por profissionais - o artista diz que não revela mais detalhes do projeto, apenas aos interessados que se inscreverem. Os pré-requisitos são: estar disposto a cobrir grandes áreas do corpo; não ter tatuagens (ou ter apenas pequenas e/ou escondidas); morar em São Paulo e ter mais de 18 anos.

O projeto deve durar "entre 12 e 24 meses", segundo Doitschinoff, será documentado em vídeo e em livro e ganhará exposição. Duas pessoas já foram escolhidas. Interessados podem mandar e-mail para stephanprado@hotmail.com.

“CRAS” - lançamento
MAM-SP, 6 de dezembro, às 19h (para convidados)

Encontros de Arte e Gastronomia
Com Stephan Doitschinoff e Alex Atala, na Sala Paulo Figueiredo (MAM-SP)
6 de dezembro, às 18h
Grátis (30 vagas – retirar senha no dia do evento com meia hora de antecedência)

Palestra com Stephan Doitschinoff, Bruno Torturra e Baixo Ribeiro
Auditório Lina Bo Bardi - MAM-SP
7 de dezembro, às 20h
Grátis (180 vagas – retirar senha no dia do evento com meia hora de antecedência)

Encontro com Stephan Doitschinoff
Sala Paulo Figueiredo - MAM-SP
8 de dezembro, às 15h30
Grátis (25 vagas – retirar senha no dia do evento com meia hora de antecedência)

Palestra com Stephan Doitschinoff
Auditório Lina Bo Bardi - MAM-SP
8 de dezembro, às 16h30
Grátis (180 vagas – retirar senha no dia do evento com meia hora de antecedência)

MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo
parque Ibirapuera - av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - portão 3; telefone: 11-5085-1313

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