"Me senti possuído no set", afirma ator estreante de "As Aventuras de Pi"

Indiano Suraj Sharma fala da experiência de estrelar a adaptação do best-seller de Yann Martel, filmada em 3D por Ang Lee; leia entrevista

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O ator indiano Suraj Sharma e o diretor Ang Lee na première de 'As Aventuras de Pi' em Nova York

Suraj Sharma passou de um adolescente normal crescendo em Nova Délhi para a estrela da adaptação de Ang Lee para o cinema do best-seller "A Vida de Pi", agora com o título de "As Aventuras de Pi".

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Sharma, de 17 anos, foi escolhido entre mais de 3 mil candidatos para interpretar Pi, um menino indiano que se vê encalhado em um bote salva-vidas por 227 dias com um tigre de bengala.

Agora com 19 anos, Sharma falou à Reuters sobre o filme, que estreia nos cinemas no próximo mês, sobre atuar com um tigre gerado por computador e por que "As Aventuras de Pi" pode muito bem ser o seu primeiro e último papel.

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Como que este filme surgiu?
Suraj Sharma: Eu nasci e cresci em Nova Délhi e meu irmão já atuou em alguns filmes. As audições aconteceram e o diretor de elenco era amigo do meu irmão e ele tem sido próximo da minha família por um tempo. Eu fui às audições com meu irmão para dar apoio moral... eu realmente não queria atuar, mas não sei, aconteceu. Eles continuaram me chamando de volta. E, então, eles me ligaram e disseram "você tem que vir a Mumbai encontrar 'Dao Yan'". Eu o chamo de Sr. Lee Dao Yan.

O que isso significa?
Suraj Sharma: Significa "Sr. Diretor" em chinês. Eu não gosto de chamá-lo de Ang, não é muito respeitoso... Duas semanas depois, eles disseram "Suraj, você tem que vir a Taiwan". O engraçado é que até então eu ainda não acreditava que tinha conseguido o papel. É difícil acreditar. Você não imagina que coisas assim podem acontecer com você.

Como foi filmar em Taiwan?
Suraj Sharma: Fiz três meses de treinamento: aprendi a nadar, habilidades marítimas, trabalho no bote... aprendi até a cortar peixe em filé. Também comi peixe cru, mas não vamos falar disso. Ganhei peso e perdi peso. Fiquei bem magro, como um nanico fraquinho (risadas). De certa forma passamos pela jornada de Pi juntos. Muitas vezes senti que todos nós juntos éramos Pi.

O que mudou do momento em que você foi para a audição até o momento em que conseguiu o papel?
Suraj Sharma: Eu nunca tinha atuado antes, mas eu sabia que iria gostar. Meu irmão e eu atuamos para nós mesmos. Andamos pelas ruas sendo pessoas diferentes e essa era a única atuação que eu tinha feito. Fui exposto à forma real de fazer filmes, como as coisas são feitas. São muitas pessoas que se juntam, um monte de sonhos que se unem. Para mim, eu só quero estar no set. Não me importo com o que eu seria. Se atuando, dirigindo, cuidando dos adereços, não me importo... As coisas poderiam melhorar ou piorar, mas isso vai estar sempre lá. Uma parte de mim sempre vai estar presa, em Taiwan, no barco.

O que vem a seguir? Papéis para atores asiáticos são limitados em Hollywood, não?
Suraj Sharma: Não sei se eu quero atuar. Eu poderia, depende do que vier à minha frente. Eu quero estar no set. Eu quero contar histórias. Eu realmente me senti possuído no set. Não consigo superar esse sentimento. Foi mais do que uma descarga de adrenalina. Esse sentimento de colaboração – pessoas diferentes se juntam, e todos eles têm as suas próprias histórias –, eles se juntam para criar algo que passa a tocar um milhão de corações. Eu não consigo esquecer isso.

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