"O que influencia o artista é dinheiro no bolso, e o Brasil está pagando bem"

Leonardo Ganem, presidente da Geo Eventos, organizadora do Lollapalooza no País, fala ao iG sobre o atual momento do mercado de espetáculos

Guss de Lucca - iG São Paulo | - Atualizada às

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Leonardo Ganem, presidente da Geo Eventos

Aquecido nos últimos anos, o mercado brasileiro de shows e espetáculos passa por uma peneirada. Quem diz isso é Leonardo Ganem, presidente da Geo Eventos, empresa que organiza os festivais Lollapalooza Brasil, XXXperience e Promessas, além dos musicais "Priscilla, Rainha do Deserto" , "Milton - Nada Será Como Antes" e "Galinha Pintadinha".

Nesta segunda (dia 1) a empresa divulgou o line-up da segunda edição do Lollapalooza no país, que acontecerá no Jockey Club de São Paulo entre os dias 29 e 31 de março de 2013. Além do festival, a Geo prepara para o ano que vem o "Rio, Music & Surf", uma nova versão do WCT Music Festival, e os musicais "Kiss Me, Kate", "Como Vencer na Vida sem Fazer Força" e "Dancin’ Days".

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"Acho que há alguns anos o mercado de shows no Brasil deu um salto qualitativo e quantitativo. Isso ocorreu quando a economia do país cresceu, com o dólar estabilizado", disse Leonardo Ganem em entrevista ao iG . "Estamos num patamar novo. E não acredito que a gente caia desse patamar. O que está havendo é uma peneirada."

De acordo com ele, estamos em um momento em que muitos dos grandes artistas já passaram pelo país. "Aí entramos no ciclo natural em que é preciso saber quando trazê-los de novo. Trazer a Madonna todo ano acaba com a novidade."

O fato de o Brasil estar em alta no exterior e ser o anfitrião das próximas Copa do Mundo e Olimpíadas não chega a influenciar o mercado de shows, segundo Ganem: "O que influencia o artista é dinheiro no bolso. O resto do mundo está mais quebrado e nós estamos pagando bem. O que interessa é se a turnê faz sentido econômico para eles".

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Uma questão que sempre causa discussão é o valor cobrado pelos ingressos de espetáculos internacionais que aportam no Brasil. Para o presidente da Geo, isso deve ser relativizado: "Se você tiver um show que está absolutamente lotado, com fila na porta, é porque você cobrou barato. Se estiver vazio, talvez você tenha cobrado caro pelo artista que está lá dentro". e continua: "Estamos sempre fazendo testes em preços, para obter um resultado positivo e um público bom nos nossos eventos. São essas duas curvas que ditam o preço. E numa economia de mercado, elas mandam no negócio".

A cantora britânica Adele seria um exemplo de artista que está fora dessa curva. "Ela deve cobrar por volta de US$ 2 milhões (cerca de R$ 4 milhões) de cachê. Você não consegue fechar a conta. A menos que um patrocinador banque essa grana. Um show dela precisa ser feito numa casa menor, para pouca gente - num estádio ia ser uma droga. Aí você vai ter que cobrar R$ 10 mil de ingresso".

Entre os principais custos que são determinantes no valor da entrada, Ganem coloca os impostos e a logística como os mais importantes. "Você paga quase 30% de imposto na transferência internacional - no caso de uma empresa que faz tudo certinho. Aí entra a logística de trazer o artista pra cá. Uma coisa é levar o Foo Fighters de ônibus para um show. Outra é voar com a banda para a América do Sul de classe executiva com suas famílias, hospedá-los num ótimo hotel...".

Outro fator que inviabiliza comparações entre custos em real e dólar é a meia-entrada. "A meia-entrada distorce todas as análises de preço. No ano passado, 87% dos ingressos do Lollapalooza foram meia-entrada. Então quando falamos que o passaporte para três dias custar R$ 900, sabemos que quase 90% das pessoas vão pagar R$ 450. Por três dias de shows, cheios de atrações, é um ótimo preço."

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