Pinacoteca revela sua coleção de gravuras de Oswaldo Goeldi

Em suas obras, o artista gostava de explorar temas como a solidão e pessoas marginalizadas pela sociedade

Cíntia Esteves - do Brasil Econômico |

Divulgação
Gravura de Oswaldo Goeldi

Ruas estreitas da periferia do Rio de Janeiro, casas do subúrbio e a solidão eram os temas preferidos do carioca Oswaldo Goeldi (1895-1961). Algumas destas cenas criadas pelo artista poderão ser vistas na exposição Goeldi na coleção da Pinacoteca de São Paulo a partir de amanhã. Serão 56 gravuras realizadas entre 1924 e 1960.

Goeldi começou a gravar na década de 1920, seguindo a orientação do amigo RicardoBampi (1896-1965), que havia estudado na Bauhaus, a escola de design e arquitetura alemã. Com ele obteve noções básicas sobre a preparação da madeira como matriz de gravuras, manuseio de goivas e os procedimentos para a impressão da imagem gravada.

Acervo

As obras desta mostra foram incorporadas à coleção do museu por meio de aquisições e doações ocorridas entre 1976 e 2011. “Realizamos um cuidadoso trabalho de datação dessas gravuras”, afirma Carlos Martins, curador da exposição.

Em seu trabalho, Goeldi também explorou a infelicidade das pessoas marginalizadas pela sociedade, como as prostitutas e os ladrões. O mar do Rio de Janeiro foi outra fonte de inspiração para o artista. Entre as obras de destaque desta mostra estão Pescadores (1950), Urubus, (1925), Três Mulheres, (1945) e Vida noturna (1935).

Outro lado

Goeldi realizou trabalhos importantes como ilustrador de livros. Humilhados e Ofendidos e Recordações da Casa dos Mortos, ambos de Fiódor Dostoievski, fazem parte do portfólio do artista assim como Mar Morto, de Jorge Amado e Canaã, de Graça Aranha.

Filho do cientista naturalista Emílio Augusto Goeldi, morou em Belém (PA) dos 12 meses aos seis anos de idade, quando se mudou com a família para a Suíça. Cursou a Escola Politécnica de Zurique e depois a École des Arts et Métiers de Genebra. Em 1917 conheceu o ilustrador expressionista Alfred Kubin, de quem se tornou amigo e recebeu grande influência.

Dois anos depois, de volta ao Rio de Janeiro, trabalhou como ilustrador da revista Para Todos. E em 1921 fez sua primeira exposição no Liceu de Artes e Ofícios. No entanto, a crítica não compreendeu seus desenhos de traços fortemente expressionistas fato que levou Goeldi a se isolar do meio artístico carioca. A exposição fica em cartaz até 24 de fevereiro de 2013.

Leia mais notícias sobre política, economia e negócios no Brasil Econômico

    Leia tudo sobre: goeldipinacotecaarte

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG