O que explorar na 30ª edição da Bienal de São Paulo

Baixo Ribeiro, sócio da galeria Choque Cultural, aponta as obras imperdíveis da mostra, que começa amanhã

Cíntia Esteves - Brasil Econômico | - Atualizada às

AE
Detalhe do pavilhão da Bienal de São Paulo 2012

Exposição interessante é o que não falta em São Paulo. Mas acompanhar a programação cultural da cidade pode ser um verdadeiro calvário. As filas intermináveis para ver mostras de grandes nomes da arte mundial são flagrantes comuns nas ruas paulistanas. As exibições das obras de Caravaggio, no Masp, e as pinturas impressionistas no CCBB ficam lotadas nos horários mais improváveis.

Uma grande espera do lado de fora não deve ser um problema para os visitantes da Bienal de São Paulo, que começa nesta sexta-feira, devido à grande quantidade de pessoas que o prédio localizado no parque Ibirapuera consegue abrigar de uma só vez. Mesmo assim, a exposição impõe outros tipos desafios. Seria possível apreciar com qualidade as 3 mil obras, de 111 artistas, selecionadas para esta 30ª edição? O Brasil Econômico levou Baixo Ribeiro, sócio da galeria Choque Cultural, para conferir a mostra antes da abertura e tirar esta dúvida.

Para o especialista, uma boa maneira de iniciar a visita a esta Bienal, chamada de A iminência das poéticas, é pelas instalações do sergipano Arthur Bispo do Rosário (1909-1989). O artista viveu 50 anos internado em um hospital psiquiátrico e acreditava ter a missão de reunir materiais dispensados pela instituição para construir novas peças as quais, posteriormente, foram consagradas como arte contemporânea.

Em um carrinho velho de ferro ele reuniu dezenas de rolos de esparadrapo, que passaram dividir espaço com embalagens de lâmpadas, latas enferrujadas e outros tantos materiais que seriam considerados lixo pela maioria das pessoas.

Em outra obra, Bispo juntou diversos pares de tênis de mesma cor e modelo em uma sapateira de pano, dessas de pendurar na parede. “É interessante observar como a artista organizava o acúmulo de objetos”, diz Baixo. Quem também faz coleções nesta Bienal é o alemão Kriwet. Ele fotografou centenas de luminosos de neon e reuniu as imagens em um grande painel. “É um verdadeiro acúmulo de imagens”, afirma Ribeiro.

Já a americana Sheila Hicks, conhecida por sua arte têxtil, gosta de colecionar pontos e tramas. Ela dá forma a diversos tipos de fios juntando artesanato, arte e design. Para Ribeiro, esta edição conseguiu um equilíbrio entre obras de grande impacto visual — aquelas que só de passar perto já é possível entender e apreciar —, e trabalhos que exigem maior tempo e dedicação por parte dos visitantes.

A criança de porcelana sentada em um grande tanque de água, do cipriota Savvas Christodoulides, chama atenção de longe pelo tamanho exagerado das peças e a mistura de materiais. A escada do mexicano Fernando Ortega invade o prédio da Bienal, interagindo com o público. Ao subir todos os degraus, o visitante se depara com uma divertida surpresa. Outros trabalhos exigem mais dedicação. Quem quiser conhecer o projeto chileno Ciudad Abierta, formado por arquitetos e intelectuais, precisa ficar mais tempo apreciando as fotos e textos da instalação.

Também vale a pena conferir nesta edição as telas monocromáticas do argentino Eduardo Stupía e a maneira como o paulistano Tiago Carneiro da Cunha ironiza temas relacionados à violência e sexo em suas esculturas. O escocês Ian Hamilton Finlay é outro artista presente nesta mostra que adora ironia. Ele chegou ao ponto de escrever o significado da palavra, retirado de um dicionário, em uma de suas obras.

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