Artista plástico retoma espírito artesão e usa pequenos objetos para fazer intervenções na obra de Leonardo Da Vinci

Nelson Leirner
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Nelson Leirner

Quem nunca se deparou com uma imagem da Mona Lisa de um jeito diferente do concebido por Leonardo Da Vinci em 1503? Na internet é possível encontrá-la de diversas formas: gargalhando, com bigode, de batom ou até fazendo cara de triste. A obra original, exposta no museu do Louvre, em Paris, é uma das mais populares do mundo.

E é sobre este assunto que o artista plástico Nelson Leirner resolveu refletir. Na exposição "Quadro a Quadro: Cem Monas", em cartaz a partir de 11 de setembro na galeria Silvia Cintra+Box4, no Rio de Janeiro, o artista faz uma crítica ao abuso da tecnologia, que banalizou a figura da Mona Lisa.

As diversas versões do quadro encontradas na internet são exemplo disso. O próprio Leirner já recebeu diversos e-mails com piadas a respeito. “Critico uma época altamente industrializada em que a tecnologia nos engole”, diz. A mostra exibirá 100 imagens estilizadas da famosa obra de Da Vinci. Para banalizar o banalizado, segundo suas próprias palavras, Leirner retomou o espírito artesão e fez intervenções manuais na criação do pintor italiano.

As imagens das “Monas”são reproduzidas em seda por serigrafia. O tecido que estampa as telas foi cortado manualmente em um trabalho que se estendeu por dez meses. Por cima deste material o artista aplicou pequenos objetos. Em um dos casos são bolas de futebol que fazem as vezes de cabelo da Mona Lisa. Em outra situação, ele usou pimentas artificiais e espiga de milho para compor a imagem. “O meu trabalho lida com materiais familiares à sociedade de consumo e eu apenas subverto o seu significado”, afirma Leirner. Também há uma Mona Lisa de brincos, outra de batom vermelho e, é claro, não poderia faltar uma com bigode.

O artista faz questão de deixar claro que não é contra a popularização desta grande obra do Renascimento italiano. “Apenas uso uma meta linguagem ao trabalhar sobre uma imagem já banalizada. A ideia é banalizar o banalizado”, afirma.

Esta não é a primeira vez que a Mona Lisa se transforma em tema de trabalho para Leirner. Em sua participação na Bienal de Veneza, de 1999, ela também lhe serviu de inspiração.

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