Poucos recursos "colocam em risco a gestão", afirma a ministra; folha de pagamento e manutenção de prédios são afetados

Ana de Hollanda:
AE
Ana de Hollanda: "gestão em risco"

A cultura brasileira corre sério risco. O alerta foi feito pela ministra Ana de Hollanda em correspondência à sua colega do Planejamento, Miriam Belchior. No texto, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo jornal O Globo, Hollanda critica o orçamento do ministério, que afeta a manutenção de prédios, obras e principalmente a folha de pagamento dos servidores, mobilizados em protestos frequentes por melhores condições de trabalho. "Esses números colocam em risco a gestão e até mesmo a existência de boa parte das instituições culturais", escreveu a ministra.

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Um dos impactos, segundo ela, é a grande evasão de funcionários do quadro da Cultura. Dos aprovados no último concurso público, realizado em 2010, 53% deixaram de trabalhar no governo – se considerado apenas o Instituto Brasileiro de Museus, o número sobe para 70%. Em números, a porcentagem significa que das 1029 vagas abertas há dois anos, 541 permanecem não-preenchidas. Além disso, até 2017 está prevista a aposentadoria de 772 servidores. Essa realidade, conforme a ministra, "tem gerado danosas consequências ao governo e à sociedade".

A reportagem do jornal cita problemas estruturais nos prédios da Fundação Biblioteca Nacional, que abriga preciosidades do Império e da literatura mundial, Museu da República, Palácio Gustavo Capanema e Museu do Folclore, todos no Rio de Janeiro.

Procurado pelo iG , o ministério afirma que a posição de Ana de Hollanda já está expressa na carta, na verdade uma correspondência interna, que não deveria ter vindo a público.

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