'Meus filhos vão ficar sem mãe', diz Claudia Raia sobre fazer teatro e novela

Em entrevista ao iG, atriz conta como é conciliar a temporada do musical 'Cabaret' com as gravações da nova trama de Gloria Perez

Augusto Gomes , iG São Paulo | - Atualizada às

"Meus filhos ficarão sem mãe nos próximos nove meses." É com essas palavras que a atriz Claudia Raia define a sua rotina de trabalho até o início de 2013. Tudo porque ela terá que conciliar a temporada do musical "Cabaret", que volta a São Paulo neste sábado (dia 25) depois de passar por cinco cidades, com sua participação na próxima novela das nove da Globo, "Salve Jorge".

Na trama escrita por Glória Perez, Claudia vai interpretar uma traficante de mulheres. "Quando a Glória fez o convite, eu recusei. Disse que não podia abandonar o 'Cabaret', que só teria três dias livres por semana para gravar. Mas ela falou que dava um jeito", contou a atriz, em entrevista ao iG  por telefone.

A atriz então convocou uma reunião familiar com os filhos Enzo e Sophia. "Foi aí que falei para eles que, se aceitasse fazer a novela, eles iam ficar sem mãe", diz, aos risos. "Eles então me perguntaram como era o papel. Quando contei que iria interpretar a vilã da novela, eles falaram 'mãe, você tem que fazer'. Então eu topei."

Deixar de fazer "Cabaret" nunca passou pela cabeça da atriz. "Antes, eu já tinha recusado o convite do Silvio de Abreu para fazer a nova versão de 'Guerra dos Sexos' por causa do espetáculo. Foi uma dor dizer não, mas o Silvio entendeu", explica. "Ele me disse: 'Sally Bowles é o papel da sua vida. Você não pode ficar só seis meses em cartaz e parar'."

Sally Bowles é a protagonista de "Cabaret". Nas palavras de Claudia, "uma prostituta alcóolatra, histérica". No cinema, foi interpretada por Liza Minnelli no premiado filme de 1972 de Bob Fosse, ganhador de oito Oscar (um deles, o de melhor atriz, para Liza). O longa, por sinal, foi o primeiro contato de Claudia com a obra. "É um filme muito forte. Como bailarina, me marcou muito. Marcou toda a minha geração", diz.

Caio Gallucci / Divulgação
Claudia Raia em "Cabaret"

A história se passa na Alemanha dos anos 1930, durante a ascensão do nazismo - um cenário bem diferente da leveza que costuma ser associada a musicais. Mas Claudia não se preocupou em produzir um espetáculo mais sombrio. "Desde o início, tinha certeza que o público reagiria absolutamente bem. Quando a história é cativante, você pode fazer o que quiser."

O faro de Claudia estava correto. "Cabaret" estreou em outubro do ano passado e, desde então, já foi visto por 170 mil pessoas. Agora, volta a São Paulo para uma temporada que vai até dezembro. Temporada que pode ser estendida. "A possibilidade existe. Se você me perguntar se quero parar, a resposta é: de jeito nenhum. É como um namoro bom, que você não quer que termine nunca."

"Cabaret" estava na mira da atriz há mais de 20 anos. Em 1990, ela não pôde participar da primeira montagem brasileira porque estava trabalhando na novela "Rainha da Sucata". De lá para cá, nunca desistiu de encenar o espetáculo. "Vi umas seis montagens no mundo inteiro, todas completamente diferentes entre si. 'Cabaret' é como um clássico de Shakespeare, dá para fazer tudo."

Ela divide o palco com Jarbas Homem de Mello, que interpreta o mestre de cerimônias do cabaré. Os dois começaram a namorar durante o espetáculo, e assumiram o relacionamento no Carnaval deste ano. Claudia diz que trabalhar com o namorado "é uma delícia". "Estou feliz que ela tenha agora o reconhecimento que merece", diz a atriz, comentando a indicação de Jarbas ao Prêmio Shell de melhor ator coadjuvante.

A parceria profissional deve continuar depois que "Cabaret" sair de cartaz. "Tenho planos de fazer teatro falado em 2013. Quero encenar algum clássico, um texto do Nelson Rodrigues, do Tennessee Williams ou do Plinio Marcos. E quero que o Jarbas me dirija."

Cabaret
Teatro Procópio Ferreira
Rua Augusta, 2823, Jardim Paulista
De 25/8 a 16/12
Horários: Quintas, 21h; Sextas, 21h30; Sábados, 17h e 21h; Domingos, 18h
Ingressos: R$ 40 a R$ 200
Compra pelo Ingresso Rápido , pelo telefone 4003 1212 e na bilheteria do teatro 
Censura: 14 anos 

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