Retrospectiva de Lygia Clark exibirá obras inéditas

Nos diários e textos deixados por Lygia Clark (1920-1988), há uma série de projetos nunca realizados pela artista

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Lygia Clark, em foto de 1971

Nos diários e textos deixados por Lygia Clark (1920-1988), há uma série de projetos nunca realizados pela artista. Um deles é "Filme Sensorial", proposição, na década de 1960, de uma obra cinematográfica a ser feita não com o uso de imagens em película, mas apenas com os sons que narrariam cerca de 5 minutos dos movimentos mais banais da vida de uma pessoa anônima.

Outro ainda, "O Homem no Centro dos Acontecimentos", não parece genial para os dias de hoje, mas concebido entre 1967 e 1968 queria colocar a simultaneidade de visões de um mesmo fato por meio de um performer que pudesse registrar seu passeio utilizando-se de um capacete com quatro câmeras.

Tão celebrada criadora, no Brasil e no exterior, Lygia Clark é fundamental na historiografia brasileira. Fazer uma retrospectiva, hoje, de sua obra é um desafio depois de várias outras mostras já terem sido dedicadas a ela. Os curadores da exposição que o Itaú Cultural inaugura no dia 1º de setembro como antologia da obra da artista teriam de se valer de um diferencial - no caso, do ineditismo, ainda, na produção de uma experimentadora.

"Não dá mais para reinventar a roda, essa seria uma outra oportunidade de ver uma retrospectiva de Lygia Clark agora", diz Felipe Scovino, de 34 anos, que assina a curadoria da exposição do Itaú Cultural ao lado do experiente Paulo Sergio Duarte.

A mostra, com cerca de 140 obras (entre elas, 45 réplicas manuseáveis de suas famosas e valiosas esculturas "Bichos" e de seus "Objetos Sensoriais") criadas pela artista desde suas pinturas da década de 1950 até seus mais radicais trabalhos participativos, que colocaram na vertente artística motivações de fundo psicanalítico e físico, tem também como destaque a produção de obras inéditas de Lygia relacionadas ao cinema e à arquitetura.

Os dois filmes já citados, além das criações com ímãs, como a instalação "Campo de Minas" e "Cintos Diálogos", ambos de 1967-68, foram produzidos pela primeira vez, seguindo as instruções escritas pela artista. Há também "Arquitetura Fantástica" (1960), em 3D, como a "Casa do Poeta" (1964) - projeto de residência com paredes móveis - e "Maquete para Interior" (1955).

O caráter inédito da atual retrospectiva, que reitera as "ideias visionárias" da artista, somente foi possível por meio da parceria realizada entre o Itaú Cultural e a Associação Cultural "O Mundo de Lygia Clark", presidida por seu filho, Álvaro Clark, e que tem projetos especiais dirigidos por sua neta, a designer Alessandra Clark.

A exposição, que fica em cartaz até novembro, é um dos destaques das mostras paralelas na cidade durante a 30ª Bienal de São Paulo, a ser inaugurada para o público em 7 de setembro. Antecede, também, a grande retrospectiva de Lygia Clark que o Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York vem preparando, com previsão de ser apresentada a partir de maio de 2014 na cidade americana.

Lygia Clark: Uma Retrospectiva
Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, Paraíso)
Telefone: 11 2168 1776
Terças a Sextas, das 9h às 20h
Sábados e domingos, das 11h às 20h
De 9 de setembro a 11 de novembro
Entrada gratuita 

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