Obra-prima de Di Cavalcanti é destruída em incêndio no Rio de Janeiro

"O sentimento é de raiva e de vingança", diz colecionador Jean Boghici, dono de apartamento que pegou fogo nesta segunda

iG São Paulo com agências | - Atualizada às

"O sentimento é de raiva e vingança". Assim o colecionador Jean Boghici definiu o que passava por sua cabeça ao perder parte de suas obras de arte no incêndio de seu apartamento, no final da tarde desta segunda-feira (13). O fogo destruiu pelo menos duas obras-primas: "Samba", de Di Cavalcanti, e "A Floresta", de Alberto Guignard.

"Vou me vingar fazendo uma bela exposição no Museu de Arte do Rio. Estou muito chateado, com vontade de chorar. Não é pelos quadros, mas pela minha gata que morreu", disse Boghici, na porta do prédio, na Rua Barata Ribeiro, em entrevista emocionada, ao lado da mulher, Geneviève, que chorava.

Muitas obras foram preservadas, entre elas "O Sono" e "Sol Poente", de Tarsila do Amaral, e "Bichos", de Lygia Clark.

Boghici é dono de um dos mais importantes acervos de arte brasileira do século 20. Sua coleção também inclui peças de Alexander Calder e Rubens Gerchman, pinturas de Vicente do Rêgo Monteiro e esculturas de Victor Brecheret, entre outras peças.

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"É uma perda brutal. Não há dinheiro que chegue a repor", afirma Luiz de Paula Sève, da Galeria Ipanema. Ele não sabe avaliar o quanto o incêndio representa em termos monetários. "Se houver seguro, ele cobre apenas a parte financeira. O valor artístico é irreparável."

Segundo ele, a perda da coleção de Boghici pode ser ainda maior do que a provocada pelo incêndio do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1978. "Sua coleção, obviamente, era menor que a do MAM. Mas tinha mais qualidade", afirma.

O curador Leonel Kaz confirmou a realização da mostra "O colecionador", com as obras de Boghici, no Museu de Arte do Rio, que ainda será inaugurado. "Quando se perde um patrimônio que, apesar de pessoal, é nacional também, nenhuma notícia é tão boa. No entanto, muita coisa se preservou. Tanto é que essa exposição ia mostrar pela primeira vez esse conjunto extraordinário que Jean reuniu durante 50 anos, e isso vai ser mostrado. As peças que se foram serão homenageadas."

"Os planos de inaugurar o novo Museu de Arte do Rio com uma mostra de sua coleção permanecem inalterados, se este for seu desejo", disse o curador do museu, Paulo Herkenhoff, através de nota oficial.

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O fogo começou às 18h15 da segunda-feira (13). A perícia vai determinar as causas do incêndio. Uma das hipóteses é um curto-circuito no ar condicionado.

O colecionador estava na rua, bem em frente ao prédio, e ao notar o fogo tentou entrar no imóvel, mas foi impedido pelos bombeiros. Sua mulher e uma filha estavam no imóvel e foram retiradas sem ferimentos.

Para o trabalho dos bombeiros, o trânsito ficou interrompido por mais de uma hora na rua Barata Ribeiro, causando grande congestionamento em Copacabana.

* Com Agência Estado, O Dia e Valor Econômico

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