Livro com ensaios do ex-ministro Celso Furtado é lançado nesta segunda-feira

Volume traz textos sobre o período em que o economista ocupou o Ministério da Cultura

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Celso Furtado

O economista Celso Furtado (1920-2004) escondia um grande segredo: por trás de sua proficiência em teoria econômica, havia um grande intelectual, um escritor, um contista, um historiador, um jornalista e um ensaísta pouco conhecidos. Essa faceta só se revelaria plenamente em fevereiro de 1986, quando aceitou o convite do então presidente José Sarney para assumir o Ministério da Cultura - então uma estrutura precária, sem projeção, sem respaldo das políticas de Estado.

"O País saía de um túnel ansioso por respirar a plenos pulmões", disse Furtado, sabendo da circunstância histórica em que assumia sua função. Seu nome já tinha sido levantado, um ano antes, por um manifesto de intelectuais (ainda se respeitava a opinião dos intelectuais) que incluía Fernanda Montenegro, Oscar Niemeyer, Antonio Cândido, Gilda de Mello e Souza, Antonio Houaiss, Chico Buarque, Tom Jobim, entre dezenas de outros. Mas havia também críticas. "O que um economista pode fazer pela cultura?".

Passados 26 anos, a passagem de Celso Furtado pelos domínios da ação cultural é objeto da reflexão de um volume precioso para quem analisa o tema. "Ensaios sobre Cultura e o Ministério da Cultura" (Editora Contraponto), organizado por Rosa Freire d’Aguiar Furtado, a viúva do economista, que relembra da circunstância em que Furtado aceitou o convite. "Depois de muitos anos em Paris, vivíamos em Bruxelas, onde Celso chefiava a missão diplomática brasileira junto à Comunidade Econômica Europeia". O lançamento acontece nesta segunda-feira, em São Paulo.

Ele ficou no cargo por três anos, entre 1986 e 1988, e deixou um legado duplo. O primeiro: ele foi o responsável pela elaboração da Lei Sarney, um mecanismo de incentivo fiscal que soçobrou após centenas de denúncias de desvios de finalidade. Mas seu esforço de compreensão sobre a cultura brasileira deflagrou um processo que ainda está em curso - uma antevisão daquilo que o ministro Gil chamaria de "do-in antropológico": microações contínuas, como estímulo às bandas de música, custeio de livros para edições internacionais, reedição de partituras. "Por todo o País, persistem frutos positivos da passagem de Celso Furtado na pasta da Cultura", assinala Ângelo Oswaldo, ex-chefe de gabinete de Furtado e hoje prefeito de Ouro Preto.

Foi o primeiro a sistematizar as informações sobre a área, encomendando à Fundação João Pinheiro um diagnóstico da cultura no País. "O objetivo último de uma política cultural deve ser liberar todas as formas criativas da sociedade. Jamais colocá-las sob tutela, mas garantir-lhes espaços para que elas possam desabrochar. A criatividade sendo a um só tempo um processo de ruptura e um processo que se alimenta de raízes do passado; é preciso garantir os espaços para atividades de vanguarda e contestação como se preocupar com a defesa do patrimônio acumulado", disse.


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