Rio de Janeiro reabre quatro antigas salas de teatro em quatro meses

Reabertura de duas salas privadas e duas municipais acrescenta 2.045 assentos à cidade

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Marieta Severo em cena na reinauguração do Teatro Ipanema

Em quatro meses, o Rio de Janeiro ganhou 2.045 assentos de teatro. A notícia da reabertura de quatro velhas salas, duas privadas - os teatros Tereza Rachel e Serrador - e duas municipais - o Ipanema e o Imperator -, todas de rua e com histórias gloriosas sob camadas de poeira, vem sendo aplaudida tanto pela classe teatral, que há anos penava com a falta de espaço para as produções, quanto pelo público cativo, para o qual quanto mais oferta, melhor.

Há quem acredite num momento especial do teatro carioca, resultado de uma certa recuperação econômica da cidade: mais dinheiro circulando significa mais patrocínios e mais verbas públicas para investimentos na cultura. E os que enxergam o quadro como fruto de uma pressão contínua dos autores, produtores e atores desesperados por mais palcos, uma vez que a pauta (agenda) dos teatros vinha estrangulado havia muito.

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"Há uns cinco anos, aumentou o número de peças que não têm tanto apelo comercial, e os palcos voltados para esses espetáculos mais autorais estão crescendo. Já é um grande passo. Mais do que em número de lugares, temos que pensar em pontos. Se tivéssemos mais salas cênicas de 30 lugares, seria ótimo", diz Rodrigo Nogueira, autor da nova geração que, com seu coletivo Pequena Orquestra, escolhido por meio de edital, ocupa desde o mês passado o Ipanema. O perfil: peças que não teriam vez nos shoppings, como "Pop Corn", a primeira direção do dramaturgo Jô Bilac.

O Ipanema não estava fechado, mas vinha com programação pouco atraente e instalações indignas de seu passado - fundado em 1968 pelos atores Rubens Corrêa e Ivan Albuquerque, foi o berço do Asdrúbal Trouxe o Trombone, por exemplo. A reforma de quatro meses ficou a cargo da Prefeitura, dona do teatro desde o ano passado. As paredes, que estavam com cupim, foram recuperadas, assim como a cabine de som e luz. Os camarins, antes cubículos, estão novinhos.

A volta à cena do Imperator, centro cultural do Méier com teatro multiuso de 700 lugares, sem uso por dezesseis anos, foi um alento para a zona norte, bem mais carente de espaços do que o centro e a zona sul. Com o sucesso musical "Beatles em Céu de Diamantes" em cartaz, a sala vai testar seu público com produções diversas nos próximos quatro meses. À frente, a produtora Aniela Jordan, ela própria vítima frequente do aperto das pautas.

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