Espetáculos estrangeiros marcam 12ª edição do FIT

Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto dobra número de encenações de fora do Brasil

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Cena do espetáculo "I Am America"

O Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, promovido pelo Sesc e pela prefeitura local, encerrou neste domingo sua 12ª edição. Além da boa acolhida, com público estimado em 90 mil pessoas, o evento deste ano caracteriza-se por uma contundente internacionalização.

Houve nítida preponderância dos espetáculos estrangeiros. Eles não só dobraram de número - passaram de cinco, em 2011, para dez, em 2012 -, como também exibiram uma ousadia que não pôde ser encontrada nos títulos nacionais.

Sem surpresas, a seleção brasileira reuniu espetáculos que já foram vistos no Rio de Janeiro ou em São Paulo. A ausência de estreias não é em si um demérito. Não fossem as escolhas tão pouco significativas. Incapazes de dar notícia do bom teatro feito no País, não cumpriram a função de "vitrine", tão comumente associada aos festivais de artes cênicas.

Por outro lado, também não ousaram revelar novos e insuspeitos talentos. Trouxe nomes consagrados, mas em criações não muito inspiradas. Ressalva justa seja feita para "Cidade Fim - Cidade Coro - Cidade Reverso", oportuna peça da cia. Teatro de Narradores que se encaixava com perfeição ao tema proposto pela curadoria: a superposição entre o indivíduo e o coletivo na cena contemporânea.

Na ala internacional também não faltaram trabalhos que ecoassem a proposição curatorial. "White Rabbit, Red Rabbit", do iraniano Nassim Soleimanpour, sobressai como bom exemplo. A peça dá conta das atuais restrições de liberdade no Irã, mas o faz sob um ponto de vista estritamente individual. Mistura o particular e o político, com o autor implicando-se constantemente na obra. Estão aí, aliás, o interesse e a contundência do espetáculo.

Há ainda a inventividade formal da encenação, que acrescenta mais um ponto à dramaturgia de Soleimanpour. Sem diretor, "White Rabbit, Red Rabbit" é interpretada por um ator diferente a cada apresentação. Intérprete este que não pode ter acesso ao texto antes de subir ao palco e é obrigado a descobri-lo junto ao público. Descrita assim, a ideia pode soar como mera provocação ou invencionice. Não é.

Feliz também foi a passagem do Workcenter de Jerzy Grotowski e Thomas Richards pelo festival. O grupo italiano, da cidade de Pontedera, teve três trabalhos incluídos na programação: "Eletric Party Songs", "The Living Room" e "I Am America". Oportunidade de os espectadores observarem desdobramentos e minúcias de uma extensa pesquisa.

A origem está no ideário de Grotowski - diretor polonês que é um marco para o teatro universal. De posse desse arcabouço, o Workcenter conduziu o elemento performático a um novo lugar. Enreda, por meio de cantos e ações, seus espectadores em uma dimensão ritual. Mágica. Mas ainda assim atenta ao mundo e às suas contradições.

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