Lilia Cabral: "Não gosto de aparecer, sou o contrário. Falo um monte de não"

A Griselda de “Fina Estampa” dá lugar no teatro para “Maria do Caritó”, virgem de 49 anos cuja castidade foi prometida no nascimento e está louca para se casar

Ana Ribeiro , iG São Paulo |

Divulgação/ TV GLOBO / Renato Rocha Miranda
Com o macacão do Pereirão, Lilia Cabral no papel de Griselda, de "Fina Estampa"

Lilia Cabral nunca tinha provado sucesso como o de “Fina Estampa”. Vestindo o macacão da Griselda-Pereirão, ela passou por várias situações sem precedentes: estampou a capa da Veja, recebeu um prêmio de melhor atriz das mãos da presidente Dilma Roussef, juntou uma legião de fãs de “50 milhões de brasileiros”. Quando a novela saiu do ar, ela saiu de cena. “Se eu ficar aparecendo em tudo o que é lugar, a sensação que dá é que eu quero sempre me mostrar, que eu preciso sempre ter um assunto, e não é assim”, diz ela. “Eu não faço questão de aparecer, eu sou o contrário. Se não tiver nenhum trabalho envolvido não tem assunto comigo. Eu falo um monte de não.”

Veja a galeria de fotos da atriz de "cara lavada", descaracterizada dos personagens que interpreta na TV e no teatro:

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A atriz está reabrindo a temporada de entrevistas porque no dia 11 de agosto estreia em São Paulo, no Teatro Faap, o espetáculo “Maria do Caritó”, que ficou em cartaz por 8 meses no Rio de Janeiro, em 2010/2011. Seu papel é a Maria, virgem cuja castidade foi prometida por seu pai a um certo São Djalminha e que, às vésperas de completar 50 anos, apela a São Francisco para encontrar um marido nessa comédia escrita especialmente para ela pelo autor Newton Moreno .

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Divulgação
Lilia Cabral e Fernando Neves em cena de "Maria do Caritó"

Lilia já foi bem mais “aparecida”. Antes de fazer sucesso como atriz na TV, seu rosto era campeão de audiência por conta da quantidade de comerciais que estrelava. Foram mais de 70, que ela tem catalogados em sua casa. “Todo mundo me alertava: não pode fazer tanto porque vai te queimar, só que nunca queimou. Eu fazia mais e mais. Eu ia lá, fazia o teste e passava. Eu não ia fazer?”

Durante muitos anos, os comerciais foram o principal meio de vida da atriz. Mesmo já contratada pela Globo, em 1986, continuava contando com o dinheiro dos comerciais para viver. “Fui para o Rio com a peça ‘Feliz Ano Velho’ e quis ficar morando lá. A peça dava dinheiro, o bastante para eu pagar minhas contas, bancar o aluguel. Fui contratada na Rede Globo, mas meu salário era uma miséria. Depois foi aumentando, mas mesmo assim ainda amarguei 10 anos ali, com aquele sufoco do dinheiro certinho, contado. Independente de você ser contratada, não quer dizer que está com a vida ganha. Foi passo a passo, tudo o que eu ganhava eu guardava. O dinheiro dos comerciais era que me dava segurança para ficar no Rio de Janeiro.”

A PRIMEIRA VÍRGULA

Com papéis em novelas como “Corpo a Corpo” (1984), “Vale Tudo” (1988) e “Tieta” (1989), Lília nunca deixou de fazer teatro. Num belo dia dos anos 90, surfando uma onda de monólogos que já tinha adeptos como Claudia Jimenez (“Como Encher um Biquini Selvagem”), Regina Casé (“Nardja Zulpério”) e Diogo Vilela (“Diário de um Louco”), decidiu montar o seu: “Solteira, Casada, Viúva, Divorciada”, com textos encomendados especialmente para quatro autoras brasileiras. “Estava todo mundo fazendo, estava na moda, resolvi me testar. Tudo começou a mudar a partir dali. Aquilo me deu um start, fez uma vírgula na minha vida. Fui capa da Vejinha Rio junto com a (atriz) Cleyde Yáconis . As pessoas começaram a me ver de outra forma, a me respeitar como artista, meus papeis começaram a crescer na televisão e eu mesma criei muita confiança em mim: encarei muita coisa e agora tenho condição de estar aqui”, lembra.

Por um tempo, tive personagens bons e outros que não eram tão bons, mas assim mesmo eram saudáveis, divertidos. Na totalidade dos meus trabalhos, posso contar nos dedos os que me frustraram"

As novelas foram se sucedendo, com papeis cada vez mais notáveis. Vieram “Laços de Família” (2000), “Chocolate com Pimenta” (2003) e Marta, a avó desalmada de “Páginas da Vida” (2006). “Depois de ‘Páginas da Vida’, minha credibilidade como artista se estabeleceu de vez.” Então vieram “A Favorita” (2008), “Viver a Vida” (2009) e “Fina Estampa”. “Por um tempo, tive personagens bons e outros que não eram tão bons, mas assim mesmo eram personagens saudáveis, divertidos. Dentro da totalidade dos meus trabalhos, posso contar nos dedos os que me frustraram”, diz ela. “A Griselda foi o maior desafio”, diz ela, sobre sua primeira protagonista.


Divulgação/TV Globo
Lilia Cabral em cena como a Marta, de "Páginas da Vida"


"100 pessoas falam bem de você e uma fala mal e é só isso que você escuta. A gente é assim "

A fama aumentou, o dinheiro acompanhou, a credibilidade se estabeleceu. Comerciais, agora, só os escolhidos a dedo. Fazer sucesso em tempos de internet foi uma experiência radical. De um lado teve a popularidade, o carinho nas ruas, as capas das revistas, os prêmios. De outro, o contato com um público que também queria falar mal, e podia ser muito agressivo. “Com essa coisa das redes sociais, twitter, facebook, todo mundo tem direito a dar sua opinião. Então vem um que acaba com você, de forma tão violenta e gratuita que é impossível não te derrubar. Sabe como é: se 100 pessoas falam bem de você e uma fala mal, é o bastante para te desestruturar, a gente é assim. Eu não podia me deixar influenciar, tinha uma responsabilidade muito grande, não podia me entristecer. Então me segurava para não ler nada que saía sobre mim. Pensei assim: Vou fazer o meu trabalho, acreditar nos meus amigos, confiar no público que encontro quando saio de casa, na minha família, nos diretores, vou confiar na Rede Globo. Tive que me concentrar, ter força de vontade para não ler o que falavam sobre mim. Crítica negativa a gente vai receber, claro, mas quando você vê que desponta para comentários agressivos, dói, é muito violento.”

Divulgação/TV Globo
Com Paula Burlamaqui, em cena de "A Favorita"

Serviço:

Maria do Caritó – de Newton Moreno

Com: Lilia Cabral, Eduardo Reyes, Fernando Neves, Silvia Poggetti e Dani Barros

Estréia: 11 de agosto

Sexta (21h30), sábado (21h) e domingo (18h) no Teatro Faap – Rua Alagoas, 903 - Higienópolis

Vendas: (11) 3662-7233 | (11) 3662-7234

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