Morte de Ivan Lessa é lamentada no Brasil

"Para conhecer o Ivan basta reler o que ele fez. Vale a pena reler", diz Diogo Mainardi

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O jornalista e escritor Ivan Lessa

Recluso devido à doença pulmonar, o escritor e jornalista Ivan Lessa se afastou de boa parte dos amigos no último ano. Sua morte foi recebida com tristeza no Brasil e lamentada pela presidente Dilma Rousseff.

Ivan Lessa morre aos 77 anos

"Éramos amigos desde 1980. Ele foi a pessoas mais importante da minha vida vida", afirmou à BBC Brasil o jornalista Diogo Mainardi. "No último ano ele se afastou, falei com ele pela última vez em 9 de maio, no seu aniversário. Eu mandei uma declaração de amor (em uma mesagem de e-mail) e ele respondeu de forma lacônica", afirmou.

A última vez que os dois se encontraram pessoalmente foi em 2006, quando Lessa foi à casa de Mainardi na Itália. "Passeamos muito e ele se queixava da perna, dizia que a doença o impedia de andar".

Depois dessa visita, Lessa seguiu para o Brasil, para onde não voltava há 34 anos. Ele pretendia escrever uma reportagem para a revista Piauí. Na ocasião encontrou os amigos jornalistas Mário Sérgio Conti - com quem Lessa escreveu o livro de correspondências "Eles foram para Petrópolis" - e Danuza Leão.

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"Foi a última vez que eu ví o Ivan. Ele e o Mário Sérgio Conti apareceram de surpresa na minha casa", disse Danuza à BBC Brasil.

Rio de Janeiro

Lessa monitorava o Brasil à distância, de seu auto-exílio em Londres, onde morava desde 1978. Porém, segundo Mainardi não foi a distância que forjou sua visão crítica sobre o Brasil. "Ele foi embora porque já tinha essa visão de mundo", disse.

De acordo com Mainardi, Lessa usava em suas crônicas a figura de um Rio de Janeiro dos anos 1950 extremamente idealizado e a colocava em conflito com o Brasil atual. "Ele ficou com um Rio idílico na cabeça, que servia na literatura dele para se contrapôr ao Brasil real".

Lembranças

O jornalista afirmou que ainda se lembra de quando conheceu Lessa em 1980, em Londres. Mainardi conseguiu o endereço de Lessa por meio de uma empregada doméstica brasileira e foi bater em sua porta. "Ele me recebeu primeiro aos chutes e ponta-pés. Mas insisti e acabamos nos tornando amigos. Mas não era uma relação igual, eu tinha muito mais admiração por ele do que ele tinha por mim. Depois nós envelhecemos", disse.

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Já Danusa lembra do Lessa que frequentava sua casa, e de seu então marido Samuel Wainer, nos anos de 1950, para jogar pôker com Paulo Francis e Millôr Fernandes. "Ele era um jogador excelente e imprevisível. Blefava, mas também ficava aflito e ansioso", disse.

No Brasil

A morte de Lessa foi lamentada no país pela presidente Dilma Roussef - para quem o Brasil perde "um de seus cronistas mais talentosos". Em telegrama divulgado pela Presidência, Lessa é descrito por Dilma como "irônico, mordaz, provocador, iconoclasta e surpreendentemente lírico - acima de tudo brilante com as palavras".

A morte dele foi divulgada nos principais veículos de imprensa brasileiros. O jornalista da TV Globo Geneton Moraes Neto escreveu em seu blog "Dossiê Geral" que "o Brasil deu um novo passo em direção à mediocrização ampla, geral e irrestrita: o coração de Ivan Lessa parou de bater".

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Para Mainardi, Lessa pode ser descrito com todos os sinônimos das palavras inteligência, graça, deboche e cultura. "Para conhecer o Ivan basta reler o que ele fez. Vale a pena procurar e reler", disse.

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