Pinturas do mestre Barroco e de 14 "caravaggescos" serão expostas em Belo Horizonte e São Paulo

São Jerônimo que Escreve
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São Jerônimo que Escreve
A partir desta terça-feira e até 15 de julho uma exposição que traz seis obras do pintor italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571-1610) será apresentada na Casa Fiat de Cultura de Belo Horizonte.

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Depois de Minas, as pinturas de Caravaggio e de 14 pintores caravaggescos, que se inspiraram no mestre precursor do barroco, serão exibidas em São Paulo, no Masp, de 26 de julho a 30 de setembro.

Mais do que ser o artista que desenvolveu como poucos a técnica do claro-escuro, conferindo uma beleza intensa de estilo e na escolha dos temas de suas telas, e de ser autor que promoveu experimentações pioneiras, Caravaggio "é um pintor que sabe o drama da existência e o vive e o coloca de maneira realista na sua obra, aproximando-a da realidade de sua vida", diz o curador italiano Giorgio Leone.

Logo na entrada da mostra, duas telas são a encarnação desse duo vida e obra. A principal pintura da mostra, "São Jerônimo Que Escreve" (1605-1606) - que representa o legado da relação do cardeal Camillo Borghese (que se tornou o papa Paulo V) - e "São Francisco em Meditação" (1606), pertencente a Galleria Nazionale d’Arte Antica di Palazzo Barberini de Roma, têm em comum a figura da caveira, símbolo da morte.

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Na obra de São Jerônimo, o crânio é uma espécie de espelhamento do rosto do santo, que está "inacabado", como diz Giorgio Leone. "Creio que ele não conseguiu terminar a face porque teve de fugir de Roma", conta o curador. Já o São Francisco, "feito já em fuga", segura a caveira na mão, como se tivesse a consciência de seu fim.

Tanto "São Jerônimo" como "São Francisco" são obras que têm a autoria incontestada e histórica atribuída a Caravaggio, desde o século 17, mas as outras pinturas presentes na exposição representam caráter diferente.

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"San Giovanni Battista"
"A mostra trata dessa questão de autoria", afirma Leone. Para um quadro ser considerado um Caravaggio, deve constar em documentos históricos, corresponder ao estilo do artista e ter sido executado a partir de técnica típica do artista.

"Duas obras da mostra, a 'Medusa Murtola', pertencente a colecionador privado, e 'Retrato do Cardeal Benedetto Giustiniani', são reconhecimentos recentes, respectivamente, de 2011 e 2010", conta o curador.

"E temos duas outras pinturas cuja autoria de Caravaggio é controversa, um exemplar de 'São Francisco em Meditação' pintado em Malta que, para mim, trata-se de uma cópia, e o quadro 'São Januário' (do Museu Diocesano de Palestrina), que alguns estudiosos dizem não ser do pintor."

A mostra, feita com R$ 5,5 milhões incentivados e com recursos próprios da Fiat, depois de São Paulo deve seguir para o Museo Nacional de Bellas Artes de Buenos Aires, mas essa itinerância ainda não está confirmada.

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