Com obras de 110 galerias, SP Arte abre nesta quinta e espera reunir 20 mil pessoas

Segundo especialistas, comprador que deseja iniciar coleção deve "pesquisar pela internet"

Augusto Gomes, iG São Paulo |

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Obras de Anish Kapoor na SP Arte
A edição 2012 da SP Arte abre para o público nesta quinta-feira (10) com números superlativos. A feira é ocupada por 110 galerias (sendo 27 estrangeiras); espera público de 20 mil pessoas; e, nem bem começou, já registrou uma venda milionária: uma obra do inglês Damien Hirst foi comprada por R$ 2,5 milhões na quarta-feira, dia em que apenas colecionadores e convidados puderam visitar o evento.

Em 2005, quando foi montada pela primeira vez, a SP Arte foi feita com 40 galerias (e apenas uma estrangeira). A que se deve esse aumento? Segundo pessoas envolvidas com o mercado de arte, é um reflexo da situação econômica vivida pelo Brasil.

"Em comparação com 2007, tivemos um aumento de vendas em torno de 50% ou 60%. É o bom momento econômico do Brasil", afirma Eliana Finkelstein, da Vermelho, uma das principais galerias de São Paulo. "Mas o 'bom momento artístico' do país também é fundamental para este resultado".

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SP Arte ocupa três pisos do pavilhão Ciccillo Matarazzo
A equação, segundo Eliana, é simples: há dinheiro para investir e há arte "muito boa" à disposição. "É um momento único", acredita. "Colecionadores de outros países vêm ao Brasil e ficam impressionados com o que veem."

O mercado estaria aquecido? Eduardo Leme, da Galeria Leme, também de São Paulo, não gosta da expressão. "Dá a impressão de fragilidade, de algo que cresceu rápido demais. Eu vejo um mercado sólido", explica.

De acordo com ele, observar quantas pessoas visitam museus é tão importante quanto acompanhar as vendas de obras de arte. "Não podemos nos preocupar apenas com quem investe. Temos de saber se há um interesse maior em arte."

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No quesito visitação, há boas notícias. A exposição mais visitada do mundo em 2011, segundo levantamento da publicação britânica "The Art Newspaper", aconteceu no país: "O Mundo Mágico de Escher", no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio, com média diária de 9,7 mil visitantes.

Este público que se interessa por arte mas não é necessariamente comprador é uma parte importante da SP Arte. De acordo com Fernanda Feitosa, diretora executiva da feira, cerca de 90% dos visitantes da SP Arte não compram nenhuma obra. Essas pessoas poderão ver - e eventualmente comprar - trabalhos de galerias como a britânica White Cube, que representa Damien Hirst, e a japonesa Kaikai Kiki Gallery, dirigida pelo artista plástico Takashi Murakami.

Comprador iniciante

Em meio a tanta oferta, como deve se comportar o comprador que quer inicia uma coleção? "O grande segredo é pesquisar", afirma Eliana Finkelstein. "Se você se interessou por algum artista, procure informações na internet. Existem sites com preços de obras para você decidir por si mesmo se vale comprar ou não", explica. "Saber pesquisar é mais importante do que estar próximo de galeristas ou de colecionadores."

Para os 90% que não compram nada, a feira vale como uma ótima exposição. Além de Hirst, a SP Arte ainda traz obras de nomes como Josef Albers, Lasar Segall, Fernand Léger, Iberê Camargo, Richard Serra, Alfredo Volpi e Marc Chagall, entre outros.

A SP Arte 2012 tem uma novidade em relação às edições anteriores: oferecerá, pela primeira vez, isenção de ICMS sobre as obras vendidas. Trata-se de um desconto considerável, já que a alíquota sobre obras de arte é de 18%. "Com o precedente do Rio foi mais fácil assinar o decreto para os cinco dias de feira", afirma Fernanda Feitosa. Ela refere-se à ArtRio, que teve sua primeira edição no ano passado e se valeu de um desconto semelhante oferecido pelo governo fluminense.

A SP Arte se estende até domingo (dia 13). A feira tem ainda programação de debates e lançamentos de livros. Seu ingresso custa R$ 30 e também dá direito à visitação do Museu da Imagem e do Som (MIS), Pinacoteca do Estado e Museu de Arte Moderna (MAM).

SP Arte 2012
Pavilhão Ciccillo Matarazzo (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque do Ibirapuera)
Quinta (10) e sexta (11), das 14h às 22h
Sábado (12) e domingo (13), das 12h às 20h
Ingressos: R$ 30

* Com informações da Agência Estado

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