"Paris: Impressionismo e Modernidade" trará obras-primas do Museu d'Orsay ao Brasil

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"La Gare Saint-Lazare", de Claude Monet
A abertura da exposição "Paris: Impressionismo e Modernidade", que vai trazer, a partir de 4 de agosto, as obras-primas do Museu d’Orsay para o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), inaugura a fase das megaexposições da entidade - isso até mesmo antes da concretização do monumental projeto que o designer francês Phillipe Starck prepara para sua nova sede, ainda cercada de mistério.

Ela deverá ocupar, em 2015, uma área enorme onde antes funcionava parte do Hospital Matarazzo, no quadrilátero formado pela Alameda Rio Claro e as ruas Pamplona, Itapeva e São Carlos do Pinhal. O diretor do CCBB em São Paulo, Marcos Mantoan, adianta que a nova sede vai abrigar um grande teatro, salas de cinema e um amplo espaço para exposições, esclarecendo que a atual vai continuar promovendo as atividades culturais para as quais foi destinada.

"A expansão vem num momento em que o CCBB colocou o Brasil no ranking das exposições mais visitadas do mundo", diz Mantoan, citando a lista das 20 mostras de maior público feita pelo Art Newspaper, que destacou a do artista gráfico holandês M.C. Escher, visitada por 381 mil pessoas entre abril e julho do ano passado.

"Tanto para essa exposição como a da Índia, o tempo de espera na fila foi enorme, o que justifica a necessidade de uma nova sede", conclui o diretor do CCBB. Na exposição de Escher, por exemplo, pessoas chegaram a ficar três horas na fila, que dobrava o quarteirão da Rua Álvares Penteado, no centro.

Essa experiência levou a direção da entidade a desenvolver uma nova logística para receber a mostra do Museu d’Orsay, que deve atrair o dobro de visitantes. Por questões de segurança, a visita começará pelo quarto andar e o público que entra não vai se encontrar com o que sai da exposição. Também por questões de segurança, a rua do CCBB e as vizinhas terão a iluminação reforçada.

Tanta precaução dos organizadores tem motivo. Com curadoria de Caroline Mathieu, autora do guia do Museu d’Orsay, a exposição "Paris: Impressionismo e Modernidade" vai trazer, de fato, obras históricas de valor inestimável, como "La Gare Saint-Lazare" (1877), que Claude Monet pintou cinco anos depois de ter assinado aquele que é considerado o primeiro quadro impressionista da história da arte, "Impressão: Nascer do Sol" (Impression: Soleil Levant). Ele foi feito no mesmo ano de outra conhecida tela sua que vai estar na mostra, "La Gare d’Argenteuil" (1872).

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"Le Fifre", de Eduoard Manet
Organizada em seis módulos, a exposição tem como foco a cidade de Paris, mas, como no caso de Monet, que trocou a capital francesa pela bucólica Argenteuil, a mostra dedica um segmento aos artistas que partiram para o campo - como Gauguin - em busca de uma alternativa para a agitada vida moderna.

Aliás, são dele duas das melhores telas da mostra, que têm como personagens camponeses da Bretanha ("Les Meules Jaunes", de 1889, e "Paysannes Bretonnes", de 1894). Seu grande amigo, Van Gogh, está presente com a tela "La Salle de Danse à Arles", pintada em 1888, o fatídico ano em que Gauguin decide se juntar a ele em Arles, onde o holandês cortou a orelha direita e foi internado com sintomas da paranoia.

Quem ficou na cidade, como Renoir, Degas e Toulouse-Lautrec, acabou pintando os personagens da vida parisiense, que integram o segundo módulo expositivo. No terceiro módulo, Paris é uma Festa, destacam-se os personagens dos cafés, da ópera e dos cabarés parisienses, pintados por Manet, Boldini, Degas e Tissot.

No quarto módulo, a guerra de 1870 - que dispersou os artistas, mobilizados pelo conflito - traz a pintura de Monet e Pissarro, entre outros, que partiram para Londres e foram influenciados pelas paisagens aquáticas de Whistler. Já o sexto e último módulo da exposição reúne os integrantes do movimento Les Nabis, a vanguarda pós-impressionista formada por Bonnard, Sérusier e Vuillard, empenhados em integrar vida e arte numa unidade indivisível.

A grande estrela da mostra, no entanto, é um garoto músico. "O Tocador de Pífaro" (Le Fifre, 1867) talvez seja o quadro mais belo pintado por Manet, quatro anos após o escândalo de "Almoço na Relva" e dois depois de "Olympia". É o retrato da inocência, um dos grandes momentos da história da pintura universal.

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