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Anima Mundi começa em São Paulo em ano histórico para animação brasileira

22/07 - 09:40 , atualizada às 11:42 22/07 - Redação

SÃO PAULO – Maior vitrine da animação no País, a 17ª edição do Anima Mundi abre hoje sua programação em São Paulo, depois da temporada carioca, encerrada no domingo com público recorde de 55 mil pessoas. Ontem à noite, o evento, que tem patrocínio da Oi e Petrobras, realizou sua abertura oficial no Memorial da América Latina em clima de comemoração: neste ano, são 66 filmes brasileiros no festival, número que deixa só na memória a safra minguada do início da década de 1990. "É um ano histórico para o Brasil. Nossa indústria de animação existe e hoje finalmente podemos dizer que exportamos animação", afirmou, emocionado, César Coelho, um dos diretores do Anima Mundi.

Divulgação

Em competição, a animação australiana em massinha "$9.99" discute o sentido da vida

Atualmente, existem 12 projetos de coprodução internacional no País, que devem envolver cerca de 50 milhões de dólares. Outro sinal do período positivo para o setor é a recuperação no festival da mostra paralela "O que vem pra TV" – antigamente programada com episódios-piloto produzidos para redes internacionais, neste ano foram selecionadas apenas séries nacionais, que devem chegar em breve às emissoras brasileiras. "A gente chegou lá", resumiu Coelho.

Até o próximo domingo, serão exibidos 401 filmes de 40 países, entre longas e curtas-metragens, entre mostra competitiva e panorama. "Sempre tivemos muitas animações do Canadá, dos EUA e do Japão. Nesta edição, temos uma representação forte da França", afirmou o diretor do festival, em razão do Ano da França no Brasil. Por conta disso, está previsto um bate-papo com o diretor Michel Ocelot, celebrado por filmes como "Kiriku e a Feiticeira" e "Azur e Asmar".

Divulgação

O brasileiro "As Aventuras de Gui e Estopa"

Entre os brasileiros, destaque para "As Aventuras de Gui e Estopa", que será exibido fora da competição. O filme é o primeiro longa de animação nacional dirigido por uma mulher, Mariana Caltabiano, parceira do iG e criadora do site iGuinho.

Outra pepita da programação é a nova aventura da dupla Wallace e Gromit, da Aardman Animations, batizada de "A Matter of Loaf and Death". Na onda do fenômeno indiano que varre o País, é interessante assistir a "Sita Sings the Blues", longa norte-americano baseado no poema épico "Ramayana".

Em "$9.99", a diretora australiana Tatia Rosenthal narra em stop-motion a jornada de um rapaz determinado a entender o sentido da vida gastando menos de 10 dólares. Já em "Peur(s) Du Noir", 10 artistas franceses retratam seus piores pesadelos em uma bela animação em preto e branco. Do mesmo país, vem o curioso "Les Pieds sur Terre", no qual o mundo subitamente é virado na vertical.

Divulgação

Francês "Peur(s) Du Noir" enfoca medo do escuro

Também é a oportunidade de assistir a "This Way Up", de Smith & Foulkes, curta-metragem indicado ao Oscar deste ano, ao belo videoclipe da música "Her Morning Elegance", da dupla Yuval e Merav Nathan, de Israel, visto milhares de vezes na web, e ainda a "Dix", dirigido pelo coletivo Bif e selecionado para o Festival de Veneza do ano passado.

O Anima Mundi fará uma homenagem aos irmãos Latini, que realizam o primeiro longa de animação brasileiro, "Sinfonia Amazônica" (1952), e vai exibir um documentário sobre Ypê Nakashima, japonês radicado no Brasil e que produziu a primeira animação em cores do País. Nas retrospectivas especiais, a estrela é o estoniano Pritt Pärn, cuja farta obra e o debate com o público vão ajudar a explicar por que a Estônia se transformou num dos maiores polos de animação do mundo.

Da Walt Disney, estarão presentes Renato dos Anjos e Leo Sanchez-Barbosa para falar de "Bolt - Supercão", desde o design original até a última concepção do personagem. Os norte-americanos Scott Tom e Mike Cachuela, por sua vez, vão contar como foi desenvolver visualmente o filme "Coraline e o Mundo Secreto", inclusive trazendo ao palco os bonecos construídos para o longa-metragem.

Para as crianças, além das dezenas de mostras dedicadas exclusivamente ao público infantil, chamam atenção as oficinas oferecidas no "Estúdio Aberto". Monitores ajudam os interessados a produzir amostras de animação com diversas técnicas, como desenho animado, massinha, película e até em areia, tudo para quiser se exercitar.

* Reportagem de Marco Tomazzoni; com Agência Estado

Serviço: Anima Mundi em São Paulo
De 22 a 26 de julho
- Fundação Memorial da América Latina
Ingresso: R$ 6 (R$ 3 meia-entrada)
-
Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)
Sessões gratuitas; retirada de senhas a partir das 10h

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