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Heitor Dahlia promete arrancar lágrimas em Cannes com "À Deriva"

13/05/2009 - 08:30 - Marco Tomazzoni

SÃO PAULO – Confiança é o que não falta para Heitor Dahlia. O diretor dos cults "Nina" e "O Cheiro do Ralo" embarcou ontem para França, onde exibe na próxima semana o filme "À Deriva", selecionado para a mostra paralela "Um Certo Olhar" ("Un Certain Regard"), no Festival de Cannes. O longa é o primeiro projeto de coprodução entre a O2 Filmes, de Fernando Meirelles, e a norte-americana Focus Features, o que desde o início credenciou "À Deriva" para voos maiores.

Divulgação

"No cinema vai ser uma loucura", prevê Heitor
Dahlia, ao falar das projeções de "À Deriva"

Tanto que Dahlia tinha grandes esperanças que o trabalho pudesse integrar a competição oficial de Cannes, assim como "Taking Woodstock", de Ang Lee, da mesma produtora. "A Focus tentou até o fim porque o filme tem potencial para isso", afirmou Dahlia. "Mas a competição deste ano estava muito forte, com nomes como Almodóvar, Lars Von Trier, Ang Lee... Muitos nomes famosos em todas as sessões, é uma safra particularmente rica."

"À Deriva" tem como protagonista o astro francês Vincent Cassel ("Senhores do Crime", "Irreversível"), que fala português durante todo o filme, e a também francesa Camilla Belle ("10.000 A.C."). Além de garantir o lançamento do longa na França, o elenco internacional também pode, segundo Dahlia, ter influenciado a seleção do júri para a mostra paralela. "Acho que tudo ajuda, apesar de não ser garantia. O Vincent, por exemplo, faz muitos filmes pequenos, independentes na França, que não são selecionados para Cannes."

Descrito pelo diretor como "pessoal, mas não autobiográfico", o roteiro segue Filipa (a estreante Laura Neiva), uma adolescente de 14 anos que passa as férias de verão com a família na praia, quando precisa lidar com a separação iminente dos pais (Cassel e Debora Bloch) e o despertar da sexualidade. Dahlia passou por uma situação similar quando morava em uma praia de Recife, no período de divórcio de seus pais.

Divulgação

Astro na França, Vincent Cassel vai ajudar lançamento do longa brasileiro no exterior

Logo que a seleção para Cannes foi divulgada, Fernando Meirelles escreveu que "tudo é sensível" em "À Deriva" e que o filme deve arrancar lágrimas dos espectadores. "As mulheres, especialmente, não conseguem resistir", declarou o diretor de "Cidade de Deus". Dahlia já vai mais longe – para o cineasta, não são só elas que devem se emocionar nas projeções.

"Muita gente chora, os homens também", garantiu. "É uma história muito emocionante. No cinema vai ser uma loucura. Se nas cabines, para poucas pessoas, já fez isso, imagina na tela grande?"

A estreia no Brasil está marcada para 30 de julho, com distribuição da Paramount Pictures. A venda para outros países, além da França, será definida ao longo do festival. A temporada em Cannes, aliás, será plataforma para Heitor Dahlia anunciar dois novos projetos: o brasileiro tem engatilhado um filme noir na Argentina, em parceria com uma produtora francesa, e a filmagem de "Serra Pelada", sobre a histórica corrida do ouro no país, escrito em conjunto com Vera Egito, que teve dois curta-metragens selecionados para esta edição de Cannes.

Leia mais sobre: Festival de Cannes 





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