09/10 - 10:51 - Agência Estado

SÃO PAULO – A 28ª edição da Bienal, que acontece de 26 de outubro ao dia 6 de dezembro, promete ser uma das mais controversas de todos os tempos. Em primeiro lugar, o evento terá um andar do pavilhão inteiramente vazio, sem nenhuma obra de arte, performance ou intervenção.
Com esse vácuo, os curadores Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen querem discutir a "crise da própria arte". Se o público, que será convidado a conhecer a arquitetura do lugar, vai entender a idéia, isso ainda é um mistério. O tema da Bienal será “Em Vivo Contato”. No total serão 42 artistas convidados, de 22 países.
No quesito performance, a Bienal tem outros dois destaques, além de Maurício Ianês, artista plástico que vai ficar nu no evento e sobreviver com doações do público. No térreo, o espanhol Israel Galván fará apresentações de dança flamenca sem nenhum acompanhamento musical. A performance deve ser repetida várias horas por dia, durante os 42 dias de exposição. Enquanto isso, nas rampas do prédio do pavilhão, o português Vasco Araújo vai apresentar uma coreografia na qual seis homens fortes, usando apenas tangas, irão carregar um cantor lírico.
No primeiro andar, o americano Paul Ramirez Jonas estará com um chaveiro profissional. A idéia é trocar as chaves dos visitantes por uma cópia da chave de uma das portas do pavilhão. O público também será convidado pela artista plástica mineira Rivane Neuenschander a usar uma máquina de escrever que só datilografa os pontos. Improvisações teatrais, programas de rádio e até uma gráfica fazem parte do pacote da 28ª Bienal. Em todos os lados do pavilhão, a interatividade será incentivada.
O andar térreo do prédio da Bienal será transformado em uma grande praça pública que abrigará apresentações de música, dança, performances, cinema - sempre a partir de propostas que entendam a “praça” como um espaço de convívio social. A ocupação do primeiro e terceiro andares será destinada às exposições, aos materiais bibliográficos, pesquisas e livros em geral e a conferências. Só não se esqueça: o segundo andar vai permanecer vazio.
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