08/10 - 17:04 - AP
ESTOCOLMO – Na maior parte das vezes, as grandes questões antes do anúncio do Prêmio Nobel de literatura são se ele será entregue a um homem ou mulher, poeta ou novelista. Mas, em 2008, a pergunta na cabeça de muita gente é se o vencedor será norte-americano.
As especulações começaram na semana passada, quando o secretário permanente da Academia Sueca, Horace Engdahl, declarou à Associated Press que os Estados Unidos são uma nação muito insular e ignorante para desafiar a Europa como centro do mundo literário.
"Os Estados Unidos são muito isolados, insulares. Não traduzem o suficiente e de fato não participam do grande diálogo da literatura", disse. "Essa ignorância é muito limitante."
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Secretário Horace Engdahl provocou |
Engdahl negou as acusações de que o comitê deliberativo da Academia Sueca seja influenciado por política ou nacionalidade ao escolher os premiados. "Nossa decisão é baseada puramente na avaliação literária", disse numa entrevista em setembro, acrescentando que a academia é "muita variada politicamente".
O secretário afirmou que muitas das escolhas do comitê já foram interpretadas como politicamente controversas, uma vez que a "grande literatura sempre é controversa".
Na véspera do anúncio, a agência de apostas britânica Ladbrokes dá ao escritor italiano Claudio Magris as maiores chances de vitória, na frente do poeta sírio Adonis e do autor israelense Amos Oz. Roth, o favorito do ano passado, caiu para a quinta posição da lista.
Desde que o japonês Kenzaburo Oe venceu o prêmio em 1994, o Nobel de literatura tem um claro sabor europeu. Nove dos ganhadores subsequentes eram da Europa, inclusive a do ano passado, a britânica Doris Lessing. Dos quatro restantes, um era da Turquia e os outros da África do Sul, China e Trinidad e Tobago, todos com laços estreitos com a Europa. O último escritor norte-americano a ganhar o prêmio foi Toni Morrison, em 1993.
Torcida pelo prêmio
Os comentários de Engdahl provocaram reações ferozes do outro lado do Atlântico. O presidente da National Book Foundation se dispôs a enviar a ele uma lista com sugestões de leitura. Na Suécia, Jonas Thente, crítico literário do jornal Dagens Nyheter, disse torcer para que os norte-americanos Thomas Pynchon e Don DeLillo dividam o prêmio.
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Don DeLillo, um dos norte-americanos |
A Academia Sueca não raro escolhe autores obscuros, fazendo com que seja praticamente impossível prever o vencedor, mas Engdahl negou que a intenção seja surpreender a crítica.
"Ficamos chocados pelo fato de que grande parte do público ache a escolha tão inesperada", afirmou. "Aqueles que finalmente recebem o prêmio e são laureados geralmente são velhos conhecidos, nos quais a academia está de olho há um bom tempo e, portanto, são bastante famosos."
Outros nomes cotados para 2008 são a novelista romena Herta Muller, o autor japonês Haruki Murakami, o peruano Mario Vargas Lossa e a poeta dinamarquesa Inger Christensen.
O escritor cujo nome Engdahl ler em voz alta nesta quinta-feira será catapultado ao palco mundial e terá a garantia de ver suas vendas decolarem e suas obras fora de circulação de volta nas prateleiras.
Além do cheque de US$ 1,4 milhão, o ganhador também vai receber uma medalha de ouro e será convidado a dar uma palestra na sede da academia, na capital sueca.
O Prêmio Nobel de literatura é entregue em Estocolmo no dia 10 de dezembro – data da morte de Nobel, em 1896 – junto com os ganhadores de medicina, química, física e economia. O Prêmio Nobel da Paz é entregue em Oslo, na Noruega.
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