03/09 - 15:49 - Agência Ansa
VENEZA, por Antonella Barina – Agnès Varda, a "Grande Mãe" do cinema francês, a fotógrafa que passa das imagens fixas para o cinema porque quer "ter mais palavras", levou à 65ª Mostra Internacional de Cinema de Veneza o filme "Les Plages d’Agnès", um documentário autobiográfico sobre a complexidade artística e política da segunda metade do século 20.
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Agnès Varda / Getty Images |
No barco, rema para trás para atracar nas praias que amou na sua "pequena viagem" sobre a terra. "Amos as praias", diz, "são o lugar mais perfeito do mundo. A horizontalidade é perfeição, acho ridículas as montanhas e todos os que querem escalar a vida".
Varda se faz retratar dentro da barriga de uma baleia (que mandou construir sobre a areia com materiais de favela) com as suas lembranças, fragmentadas como os espelhos que posiciona no início do filme.
Ela utiliza trechos de filmes "apenas quando são úteis à história, não para me vangloriar", explica, "como um passarinho que pega um ramo da árvore, uma folha, para construir seu ninho".
"Quando faço retratos, a beleza sai do rosto das pessoas: fazer uma foto é dividir, fazer cinema é dividir", fala. Um capítulo é dedicado ao feminismo, "a luta pela liberdade de ter ou não ter um filho".
Os seus filmes possuem personagens femininas rebeldes, enfurecidas. "Na Nouvelle Vague" acrescenta, "nunca aceitei descriminações".
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