30/08 - 14:00 - Redação com EFE
VENEZA – O filme com co-produção brasileira "Dangkou - Plastic City", dirigido pelo chinês Yu Lik-wai, foi exibido hoje na seção competitiva do Festival Internacional de Cinema de Veneza. A história - uma produção conjunta de Brasil, China, Japão e Hong Kong - se passa na Liberdade, um bairro de São Paulo, e mostra o mundo da corrupção e do mercado negro da pirataria, controlado pelas máfias com a conivência de políticos.
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A atriz Huang Yi, o diretor Yu Lik-way e os brasilei- |
No entanto, a trama dificilmente seguirá na competição, pois, desde o primeiro momento, se mostra mais como um trabalho de videoarte do que de cinema.
Tais declarações foram dadas em entrevista coletiva pelo próprio diretor, Yu Lik-wai, quando explicou que "Plastic City" não pretende mostrar uma questão social de forma realista, mas através de "uma proposta informal". Ele explicou que o que mais deu trabalho foi encontrar "a forma".
Esta forma leva a uma decomposição da realidade de tal modo que o filme chega a se distanciar da trama para mostrar, em imagens artísticas, viagens alucinógenas e batalhas urbanas mais próprias da história em quadrinhos e do desenho do que do cinema.
Filmado em São Paulo, "Plastic City" mostra a ação da Yakuza na maior cidade da América, com lutas de espadas e efeitos digitais. O longa mistura elenco oriental e brasileiro, caso da atriz Tainá Muller, descoberta no longa-metragem gaúcho "Cão Sem Dono", e de Milhem Cortaz, figura carimbada da sétima arte nacional, que recentemente pôde ser visto nas telas em "Tropa de Elite" e "Encarnação do Demônio".
Depois da co-produção Brasil-China, na segunda-feira é a vez de uma parceria ítalo-brasileira ser exibida na seleção oficial. "Birdwatchers", do italiano Marco Becchis, registra o cotidiano e a disputa por terra dos índios guarani-kaiowà em Dourados, no Mato Grosso do Sul. Protagonizado pelos próprios indígenas, que viajaram a Veneza para prestigiar o festival, o filme ainda tem a participação de Matheus Nachtergaele e Leonardo Medeiros.
Nacionalismo no Lido?
"Un Giorno Perfetto", o primeiro filme italiano exibido hoje na seção de competição do Festival, deu novos argumentos para as pessoas que disseram que este ano o evento seria marcado mais pelo nacionalismo do que pela qualidade.
O longa, do diretor italiano de origem turca Ferzan Ozpetek, conta a história de Antonio, interpretado por Valerio Mastandrea, e Emma, sua esposa, interpretada por Isabella Ferrari. Emma tenta se separar de Antonio, que não aceita a decisão da mulher e tenta evitar que isso ocorra de qualquer forma, até mesmo com o uso de violência física.
No entanto, surpreendentemente, o filme não aborda a questão como um problema social, mas sim trata como se fosse um simples fato. O diretor se afasta do problema social da violência de gênero ao colocar a trama no âmbito de um assassino psicopata.
"Gostar de uma pessoa da forma como acontece em 'Un giorno perfetto' é uma coisa que me fascina muito. Não se entende quem é a vítima e quem é o carrasco", afirmou Ozpetek.
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Valerio Mastrandrea e Ferzan Ozpetek, |
"Nos jornais, lê-se sobre 'monstros' que matam e coisas horríveis que acontecem, mas o filme mostra o espírito destes 'monstros' que, no fundo, são pessoas como nós", diz.
O filme se baseia no romance de mesmo nome do escritor Sandro Petraglia, apesar de o diretor italiano ter reconhecido em entrevista coletiva que mudou vários aspectos do livro. Entre essas mudanças figuram a "suavização da violência", a substituição de um homossexual por uma mulher (o que Ozpetek garantiu se tratar mais de estética do que de moral), a inclusão de uma personagem que parece ser um anjo e a mudança dos lugares onde se passa o romance. Graças a essas mudanças houve espectadores que disseram que "o livro é muito bom, mas o filme é muito ruim".
Um sentimento que veio a confirmar as críticas sobre o viés nacionalista do evento, que este ano colocou quatro filmes italianos na competição, sem que a qualidade do cinema local atual justifique isso. Algumas acusações, como as do jornal alemão "Der Spiegel", obrigaram o ministro da Cultura italiano, Sandro Bondi a falar sobre o assunto.
Bondi disse que a presença de filmes italianos é grande porque durante anos a ausência dos mesmos "foi criticada". A acusação de um "excessivo patriotismo" coincide com o momento em que, após a chegada de Silvio Berlusconi ao poder, o país está sob suspeita de ser xenófobo devido à campanha de expulsão de imigrantes.
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