28/08 - 14:38 - Redação com EFE
VENEZA – O diretor japonês Takeshi Kitano e o alemão Christian Petzold inauguram hoje a fase de competição do Festival de Cinema de Veneza com dois filmes que transmitem diferentes mensagens: um mostra que a arte é um sonho tangível, ao tempo que para o outro, o amor é impossível na miséria.
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Kitano exibe fim de trilogia e se credencia |
"Achilles and the Tortoise" ("Aquiles e a Tartaruga")
é a proposta de Kitano para tentar conquistar seu segundo Leão de Ouro, prêmio que conseguiu em 1997 com "Hana-bi, Fogos de Artifício", e com o qual completa a trilogia sobre a arte e o espetáculo, que começou com "Takeshis" (2005) e continuou com "Glória ao Cineasta", de 2007. O próprio diretor chegou a definir a série como "suicídio artístico".A busca de uma linguagem artística, o estudo das tendências contemporâneas e o gosto pela cor do protagonista não deixam de ser uma referência ao conflituoso percurso artístico do próprio Kitano, que depois de um grave acidente de trânsito começou a pintar, chegando a expor suas obras em galerias importantes de Tóquio. Todas as pinturas que aparecem no filme são do próprio diretor japonês.
Da mesma forma que Cervantes fez com seu Dom Quixote, com críticas e risos do artista, mas reconhecendo o valor de seu idealismo, Kitano transforma seu filme em uma verdadeira obra de arte contemporânea.
Busca desesperada por dinheiro
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Diretor alemão Christian Petzold (dir) |
Frente a qualquer idealismo dos sentimentos, aparece por outro lado o filme "Jerichow", de Petzold, que tem como personagem principal Laura, a protagonista interpretada por Nina Hoss, que chega a afirmar: "Não se pode amar sem dinheiro".
Laura é a esposa de Ali (Hilmi Sözer), um homem de negócios turco que a recuperou de um bar de pouco valor, em uma das zonas mais deprimidas da Alemanha, e se casou com ela. Mas é um resgate que tem um preço, o de uma dívida econômica que ela tinha contraído.
A aparição de Thomas (Benno Fürmann), que será contratado por Ali, abre o caminho para um tradicional triângulo amoroso, no qual se misturam ciúmes, sexo e dinheiro.
"Queria saber o que ocorre quando uma cidade se afunda economicamente, não só em seus aspectos sociológicos, mas também nos sentimentos das pessoas", conta Petzold, considerado um dos representantes do novo cinema alemão. E o que ocorre é a busca desesperada por dinheiro, porque ele dá independência e liberdade, explicou Nina Hoss.
O filme serve também para mostrar uma surpreendente Alemanha, a empobrecida região germânica-oriental de Wittenberg, tão pobre que não é lugar nem para os imigrantes.
Através dos dois filmes, a competição do festival une mensagens que tocam a alma humana com a proposta de entretenimento que ofereceram ontem os irmãos Coen em "Burn after reading", fora de competição.
Kiarostami exibido fora de competição
Se o diretor japonês se aprofunda nos vazios do artista maldito, Abbas Kiarostami, lenda do cinema iraniano, experimenta com "Shirin" para observar durante 92 minutos os rostos de 114 espectadores.
Como Kitano, Kiarostami é um artista múltiplo: escreve poesias, realiza instalações, ama a fotografia e o vídeo. Aos 68 anos, se dá ao luxo de apresentar fora de concurso um filme apenas com as imagens de mulheres com um véu na cabeça, que observam em silêncio uma representação teatral de um poema persa do século XII.
A competição continuará amanhã com o francês "Inju, La Bête Dans L'ombre", dirigido pelo alemão Barbet Schroeder, e o esperado "The Burning Plain", produção hollywoodiana do mexicano Guillermo Arriaga.
* Com informações da AFP
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